Adriana Torres

Porque Relacionar é preciso

Posted by Adriana Torres | March - 17 - 2010 | 1 Comment

Trabalhar com marketing é engraçado. Engraçado porque é raro você trabalhar com Marketing. Usualmente, você trabalha com Comunicação e todo mundo fica feliz dizendo que tem um marketeiro na empresa, isso quando não fazem ideia de que essa é uma área da administração. E engraçado porque, quando trabalhamos com Comunicação, todo mundo acha que entende pra caramba do assunto – e haja paciência para aguentar pitacos de quem não tem a mínima ideia das teorias envolvidas.

Todo mundo entende de comunicação, certo? Afinal, a geral comunica, até minha cachorra faz isso (e credo, tem dia que dá vontade de matar a bicha de tanto que ela se “comunica”). Agora, cá entre nós – comunicamos mal demais!

Empresas comunicam mal. Pessoas. Grupos. Por que é tão difícil comunicar assim?

A teoria da comunicação fala dos “ruídos” existentes entre o emissor, o receptor e a mensagem. Esses ruídos podem ser causados pelas expectativas do receptor, pela sua história e diversas outras variáveis não controláveis pelo emissor (fora as controláveis por eles, como usar uma linguagem correta, saber utilizar a linguagem não verbal, etc). O contexto da situação onde nos comunicamos, as palavras que escolhemos para essa comunicação, tudo influirá na “decodificação da mensagem”, que, no final, pode sair igual aquela brincadeira da infância de telefone sem fio. Falamos alhos, entendem bugalhos. E o bicho pega…

Exemplificando – ah, vocês vão acostumar com isso, sei que vão!

Um dia desses fui eu para uma importante reunião. E como sempre, eu empolgo e falo mais que lavadeira quando perde o sabão (dizem que ela fala mais quando isso acontece, vai saber…)

Acompanhada de uma gestora de uma das organizações para a qual presto consultoria, foi uma reunião deveras interessante, com pessoas super bacanas. O que me deixa mais à vontade para falar demasiadamente.

Enfim, no dia seguinte à reunião, a gestora, de forma muito educada e competente, chamou-me para dar um feedback da reunião. E disse que ficou incomodada pela forma como fiz meu “marketing pessoal”. Surpresa, eu aguardei os detalhes. E ela me explicou que sempre que eu falava sobre um assunto específico, me referia a algo que eu já tinha feito, ou seja, estava “me vendendo”. O que, obviamente, não era minha função. Eu deveria enaltecer meus contratantes, sempre. E me deu alguns exemplos de como ela agia no seu dia-a-dia.

Espero que ela, caso leia esse post, não entenda mal novamente minha proposta, que nada mais é que uma reflexão de como nos comunicamos mal. Eu nunca tive intenção de me “vender” e, percebo que algumas pessoas notam isso em mim e se sentem desconfortáveis com isso. (Um pequeno aparte – vender-se não é marketing pessoal , faz parte do conjunto. Marketing Pessoal é muito mais que isso…mas deixa para outro post). Acontece que é um defeito meu, de nascença, como disse anteriormente.

Sou extremamente explicadinha (dizia minha mãe que esse defeito chato era do meu pai e eu herdei, ou seja, minha mãe sabia, pena que já morreu e não posso usá-la como testemunha de defesa).

Além de ser defeito de nascença, trabalhei 12 anos com técnicos e engenheiros – quem conhece sabe, se não desenhar na hora do papo, não funciona… (não estou falando mal, ok? Amo meus amigos engenheiros!).

Então vou dando exemplos, exemplos e, como não sou tão erudita quanto o grande Antonio Carlos Gomes da Costa, que cita autores diversos sem precisar colar de livros, eu uso exemplos de coisas que já fiz, já que delas eu tenho quase certeza da minha intenção, do desenrolar dos fatos e das conclusões a que cheguei. E nunca imaginei que isso poderia sugerir aos outros a ideia de que estaria enaltecendo meus feitos, até porque eu morro de vergonha de receber elogios (outro defeito meu, o orgulho).

Enfim, o feedback serviu para que eu tome cuidado com meus exemplos a partir de agora, pelo menos profissionalmente falando. Se não agüentar, usarei exemplos dos chefes, vai dar mais certo.

Por outro lado, serviu também para que eu possa refletir quantas vezes eu julguei mal o que me falaram, pois veio ao encontro de minha própria história de vida, meus aprendizados e cultura. Já comprei briga por frases que me disseram e, que, muitas vezes, nada tinham de ofensivo para quem estava emitindo sua opinião. Aprender a comunicar também está na minha agenda, por mais que eu estude a respeito.

Ainda sou marketóloga. Mas a cada dia me fascina ainda mais essa tal de comunicação;-)

Bjs

Dri Torres

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A difícil arte de comunicar, 5.0 out of 5 based on 2 ratings
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One Response so far.

  1. [...] Em um dos meus primeiros posts no site, escrevi sobre a difícil arte de comunicar. [...]


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