O título deste post** ilustra bem o que realmente é marketing – e o perigo de se enxergar sua teoria apenas por algumas de suas atividades. Em um jogo de futebol você tem jogadores, campo, gramado, bola, trave, etc., etc… E ainda tem todo um conjunto de pessoas e processos que suportam esse esporte – como o treinador, o preparador físico, a sede do clube, os dirigentes, o administrativo do clube, os recursos financeiros, etc. Tentar explicar o futebol só apontando aquela figurinha odiada pela maioria e que fica apitando o tempo inteiro é tão errôneo como só enxergar o marketing pelas suas ferramentas de promoção.
O Marketing existe desde que o mundo é mundo. Porque nós, indivíduos, temos necessidades desde que nascemos. E para atender nossas necessidades, nós começamos a nos relacionar com outras pessoas e grupos. Como uma criança que chora e, em troca do seu silêncio (da saúde também, vai lá) sua mãe o amamenta.
Idéias, informações, sentimentos, serviços e produtos são trocados diariamente – seja por dinheiro, seja por outras idéias, informações, sentimentos, serviços… Buscamos satisfazer nossas necessidades (ou nossos desejos) através daquilo que, muitas vezes, o outro possui, entregando a este outro algo que ele também deseja (ou necessita). Escambo, venda, permuta, doação – existe várias formas de promover a troca. E o marketing, quando definido como teoria, tem como papel principal estudar e promover essas relações a fim de que uma organização consiga alcançar um ótimo resultado e se perpetuar.
Nossas necessidades modificam de acordo com nossa idade, sexo, condição social, cultura, etc. Maslow foi genial ao definir sua pirâmide de necessidades – onde mostra claramente que nós, seres humanos, nunca estamos satisfeitos. Temos necessidades que, a partir do momento que são supridas, passam imediatamente a serem substituídas por outras ainda mais complexas.
Figura 1: PIRÂMIDE DAS NECESSIDADES DE MASLOW
Administradores de marketing estudam e pesquisam as necessidades humanas a fim de segmentarem os mercados e oferecerem os serviços ou produtos adequados ao público definido (o chamado público-alvo). O conceito de Marketing evoluiu muito desde os primeiros artigos relacionados ao tema. Para seguir a evolução do pensamento do marketing desde os primeiros artigos lançados a respeito do tema, MIRANDA & ARRUDA organizaram o seguinte quadro:
QUADRO 1: EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO DE MARKETING
| Evolução Histórica | Características |
| Escola Commodity | Primeira escola da disciplina, criada em torno de 1900. Foco: transações e vendas de objetos. Precursores: Copeland (1923) e Aspinwal (1958) |
| Escola Funcional | Criada no início de 1900, com foco nas atividades necessárias para executar as transações de marketing e nos métodos de execução dessas transações. Precursores: Shaw (1912), Weld (1917), Vanderblue (1921), Ryan (1935), Fullbrook (1940), McGarry (1950) |
| Escola Institucional | Criada por volta de 1910, atingiu seu pico entre 1954 e 1973. Foco na função de comercialização pelos intermediários. Precursores: Weld (1976), Butler (1923), Breyer (1934), Alderson (1954), McCammon (1963), Balderston (1964), Bucklin (1965), Mallen (1973) |
| Escola Regional | Criada por volta de 1930. Foco nas transações entre vendedores e consumidores de uma certa região. Estudo concentrado em varejo, atacado e centros de atividade econômica das regiões. Precursor: Revzan (1961) |
| Escola Funcionalista | De meados de 1930, compreende o marketing como um sistema de estrutura inter-relacionada e interdependente da dinâmica de relacionamento. Precursor: Alderson (1945). |
| Escola Administrativa | Criada no final dos anos 40 e início dos anos 50. Foco na determinação das necessidades dos consumidores, no mix de marketing, na segmentação de mercado e na “miopia do marketing. Precursores: Borden (1950), Smith (1956), McCarthy (1960), Levitt (1960) |
| Escola Comportamento do Consumidor | Início da década de 50. Foco nos mercados consumidores e em suas informações demográficas (quem são e quantos são). Ênfase nos produtos de consumo, finalizados e bens duráveis. Precursores: Katona (1953), Lazarsfeld (1955), Festinger (1957). |
| Escola Dinâmica Organizacional | Fim dos anos 50 e início dos anos 60. Foco no bem estar dos consumidores e necessidades dos membros dos canais de distribuição, como os fabricantes, atacadistas e varejistas. Precursores: Ridgeway (1957), Mallen (1963), Stern (1969). |
| Escola Macromarketing | Início dos anos 60. Foco nas atividades de marketing e instituições sociais. Surgiu como conseqüência do crescente interesse da função dos negócios na sociedade. Precursores: Holloway e Hancock (1964), Fisk (1967), Shawver e Nickels (1979), Hunt e Burnett (1982). |
| Escola Sistêmica | Anos 60. Foco nas respostas às mudanças do meio ambiente. Precursores: Boudling (1956), Forrester (1958), Kuhn (1963), Bertalanffy (1968), Howard (1983). |
| Escola de Trocas Sociais | Meados dos anos 60. Foco nas trocas entre vendedores e consumidores e perspectiva interativa com respeito às transações de mercado. Precursores: MacInnes (1964), Alderson e Martin (1965), Kotler (1972), Bagozzi (1974), Houston e Gassenheimer (1987). |
| Escola Ativista | Surgiu por volta da década de 70. Foco no desequilíbrio da força entre vendedores e consumidores, no mau uso do marketing pelas firmas individuais e em assuntos do bem estar e satisfação do consumidor. Precursores: Beem (1973), Gardner (1976), Russo (1976), Jacoby e Small (1975), Preston (1976). |
| Marketing de Relacionamento | Surgiu por volta dos anos 80. Foco na criação da lealdade e na satisfação e retenção de clientes. Precursores: Berry at al (1983), Jackson (1985) e Spekman e Jonhston (1986). |
| Cybermarketing | Final da década de 90 e início de 2000. Considerado um instrumento facilitador do marketing, com foco na possibilidade de trabalhar a personalização em massa, com rapidez no processo das transações e alta interatividade com os clientes. Precursores: Rowsom (1998), Rosembloom (1999), Poel e Leunis (1999), Graham (2000) e McCune (2000). |
| Marketing Experiencial | Final da década de 90 e início de 2000. Foco nas sensações que os produtos possam proporcionar aos clientes e não meramente nas necessidades dos consumidores. Precursor: Schmitt (1999). |
Fonte: MIRANDA & ARRUDA, 2004.
Analisando o quadro acima, percebe-se claramente a evolução – de um número de atividades para aumentar as vendas para um processo claro de relacionamento com o consumidor – que finalmente atinge o status de co-produtor dos serviços e produtos que adquire. Essa nova visão – com foco nas emoções e experiências vivenciadas pelo consumidor torna o desafio do marketing ainda mais complexo – e compreender isso é a diferença entre a organização que ainda acredita em “jogadas de marketing” e aquela que aposta nos relacionamentos de forma estratégica e consistente.
Podemos então finalizar este com o conceito de marketing advindo da American Marketing Association : “marketing é o processo de planejar e executar a concepção, o preço, a promoção e distribuição de idéias, produtos e serviços para criar trocas que satisfaçam os objetivos de indivíduos e organizações”. Ou seja, através de uma estratégia de planejamento que abranja o tático e operacional da organização, busca-se fomentar as relações no mercado – seja de pessoas ou organizações. Já Kotler define o conceito social do marketing – “um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtém aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros.”
Eu costumo definir o marketing de forma ainda mais ampla: Acredito que mais que uma teoria, marketing é uma estratégia de gestão organizacional com foco na promoção da satisfação e bem estar dos seus stakeholders (consumidores, acionistas, parceiros, fornecedores, governo e sociedade) através da troca de serviços, idéias ou produtos de forma ética, transparente e inovadora. É a gestão de relacionamentos, com uma visão social e, ao mesmo tempo, gerencial!
*Texto extraído da cartilha Comunicação Integrada de Marketing, desenvolvida por essa que vos escreve em setembro de 2009, para um curso do Terceiro Setor ministrado na FEAD/BH.
** Sei que o conteúdo deste está bem técnico, se comparado aos demais que já postei aqui. Mas fiquei tão brava ontem ao ver um anúncio onde uma empresa queria contratar um engenheiro para o cargo de “Especialista de Marketing de Produto” e a única coisa que me ocorreu foi buscar esse texto nos meus alfarrábios.
Referências:
MIRANDA, Claudia M. C; ARRUDA, Danielle M. de O. A Evolução do Pensamento de Marketing: uma análise do corpo doutrinário acumulado no século XX. RIMAR, v.3, N 1, p. 40-57, Jan/Junho. 2004. SCHIAVO, Marcio Ruiz. Conceito & Evolução do Marketing Social. Disponível em <http://www.socialtec.org.br>. Acesso em: Set.2009.
Fonte: MIRANDA & ARRUDA, 2004.






Ei Adriana! Você não me conhece, mas conhece meu irmão – Ricardo Horta. Foi ele que me falou sobre você e sobre sua página e, então, vim aqui conhecer! Bom, também escrevo umas palavrinhas… Estão lá no blog http://catadoradepalavras.blogspot.com. Se desejar visitar, será muito bem vinda! Espero também poder conhecê-la pessoalmente. Abração, Luciana Horta
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Adriana Torres Reply:
April 1st, 2010 at 12:11 am
Oi Lu! (intimidade…rs)
O Horta me falou de você já, segundo ele, somos muito semelhantes, tanto fisica quanto emocionalmente… e até em certas situações que estamos vivendo! Já me sinto sua amiga assim, pois seu irmão é uma pessoa que admiro demais…
vou olhar seu blog com carinho, ele me falou dele. E vamos trocando figurinha, temos que nos conhecer pessoalmente!
Abrs
Dri
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