Adriana Torres

Porque Relacionar é preciso

Posted by Adriana Torres | June - 11 - 2010 | 4 Comments

É. Tem gosto pra tudo, dizem. Tem gente que até nem quer ser feliz, acreditem ou não. Estranhamente, se satisfazem ao saberem que são infelizes. Será que são felizes por isso também? Vai saber… Mas estou viajando demais. Vamos lá!

Nessa semana, conversando com um amigo, falávamos de relacionamentos. Quando afirmei que não estava preparada para me apaixonar agora e, entre os motivos, coloquei a questão profissional, entramos em desacordo (ok, nós batemos boca mesmo… sou sangue quente né? Tigresa de nascença). Ele defendia que uma coisa não tinha nada a ver com a outra, eu defendia que não se dá pra assoviar e chupar cana ao mesmo tempo.

Lembrei então de uma das bases do estudo da segmentação de consumidores (e do próprio marketing com foco no comportamento do mesmo) que é a hierarquia de necessidades criada pelo brilhante Abraham Maslow. Segundo o psicólogo, o ser humano tem necessidades que nunca são satisfeitas. À medida que atendemos certo estágio, passamos para outro, e por aí vai.

Concordo em parte com ele. Em parte, porque percebo sim que somos inesgotáveis no querer e no precisar. Por outro lado, vejo algumas falhas nessa teoria… ei, não somente eu! Vários teóricos discordaram!

Mas é por isso que existe a segmentação de mercado. Porque cada um é cada um. Concordam? Podemos sim agrupar pessoas de acordo com o nível social, geografia, idade, sexo, etc. E quanto mais essa segmentação for múltipla e refinada, maior a chance de atender a necessidade daquele grupo. Mas nunca atenderemos todos.

Só se fizermos o marketing one to one, que é bem caro e pouco recomendado para produtos que trabalhem com margens ínfimas de lucro. Aliás, bom livro pra ler e que recomendo é o Marketing One to  One de Don Peppers. Ele também explica porque existem clientes que devem ser tratados com o marketing de massa, por várias questões.

Mas voltando ao ponto central do texto. Vendo a pirâmide de Maslow, ela diz mais ou menos assim:

  • Primeiro eu preciso comer, beber, dormir, me abrigar e fazer bobice, etc. (não necessariamente nessa mesma ordem).
  • Faço isso tudo? Ok, então agora eu quero me sentir segura. Quero saber que vou ter o que comer amanhã e depois. Quero que ter uma casinha pra mim, e ter certeza que não vou ficar dependendo do SUS pra ser atendida (e que a bobice vai ser constante…enquanto durar!)

Nota: Homens, vejam, amor é evolução até de necessidades. Ou seja, se você só quer sexo, meu amigo, você ainda está na base! :-D

  • Ah, estava bom né? Mas agora eu quero amor. Quero ser aceita. Desejada. Necessária! Quero encontrar a minha turma ou a tampa da minha panela. Ou tudo junto, vai saber.
  • Tenho tudo que preciso? Não! Porque, agora, eu quero ser A CARA. Quero que as pessoas olhem pra mim e digam: Jesus, essa menina é muito PHODA! Enfim, quero alimentar meu ego!
  • E, por fim, chegamos ao topo: queremos ser o que podemos ser, nada além. É nos realizarmos plenamente enquanto seres humanos. É o ser feliz, ao sabermos nossos limites, ao reconhecermos nós mesmos enquanto espíritos perfectíveis e nos aceitarmos como somos!

Bacana! Agora… Vamos aos meus comentários sobre o exposto acima (conclusões de Adriana Torres, que NÃO é filósofa, NÃO está fazendo tese acadêmica a respeito e NÃO é dona da verdade. Só da dela. Ok?).

  • Quando estamos nos estágios iniciais, somos como bebês. Não temos como nos doar. A visão é centrada no próprio umbigo! Eu realmente não consigo pensar em amar alguém quando estou preocupada se terei condições de almoçar hoje ou amanhã. Mas ser amada pelo outro me traz um baita conforto.
  • Nem todos passam por todos os estágios: Eu sempre me lembro de um amigo nessa reflexão. Sua felicidade encontra-se em ter uma cerveja, um controle remoto e o beijo da sua mulher. Ele não saiu (e nem pretende) do estágio das necessidades sociais. Algumas empresas viram a cara para esse comportamento, achando inadequado. Digam-me porque, caras-pálidas? Isso é não respeitar a individualidade… E a diversidade! Cada um é feliz da sua maneira. E ponto.
  • Não concordo que o topo seja a autorrealização. E Kotler, no seu último livro Marketing 3.0 fala isso. A diferença (sim, eu posso divergir do cara, dá licença?) é que ele acha prudente colocar essa necessidade embaixo da pirâmide, enquanto eu a vejo como algo que permeia tudo. Posso me sentir feliz sendo o que sou, alcançando o que desejo em qualquer uma das demais. É como o exemplo acima. Meu amigo se percebe feliz assim. Ele não faz isso de forma inconsciente, como os “doutos” julgam. É uma escolha!
  • Eu consigo atingir alguns estágios e, no meio do caminho, voltar na pirâmide sem perder minha atual posição! Como? Simples. Imaginem que amanhã eu seja reconhecida como a melhor consultora de marketing de todos os tempos! Porém as empresas podem acreditar que, por isso, me tornei cara para elas. E, de repente, eu me vir sem projetos. Ficarei com a fama e morrerei de fome! Eu também posso atingir hoje o estágio afetivo, para, amanhã, sem largar mão da necessidade de ser amada, curtir uma bobice sem compromisso para satisfazer meus hormônios…

Enfim, necessidades temo-las todos. Como lidamos com elas, qual o estágio no qual nos encontramos, isso é de cada um. Não dá pra colocar tudo em uma explicação acadêmica. Somos bichos complexos, eu sempre digo isso. E, se meu amigo consegue se preocupar em encontrar seu amor enquanto a barriga ronca, eu sou diferente. E isso não é o máximo?

Imagine se todo mundo fosse igual, que coisa mais chata?

Seja você um profissional de marketing procurando conhecer seu público ou uma pessoa que adora entender de gente (acho que me encaixo em ambos os casos) lembre-se, em suas relações, que o outro provavelmente não é igual a você. Entenda e o aceite. Porque, no final das contas, todos querem a mesma coisa: ser feliz! Mesmo quem quer o contrário!

P.S. Música pra embalar meus posts… e os leitores. sempre! ;-)

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Quero mais é ser feliz! E quem não quer?, 5.0 out of 5 based on 1 rating
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4 Responses so far.

  1. O aprimoramento intelectual e profissional sem o devido apoio emocional e estímulo à maturidade social, não é bastante para bem viver. Será esta a razão pela qual vivemos insatisfeitos com nossas vidas???

    [Reply]

    Adriana Torres Reply:

    Ei Ricardo, obrigada por seu comentário, aqui e no face…

    Algumas pessoas se sentem insatisfeitas por causa disso. Outras, por outros motivos… minha intenção com o texto foi exatamente mostrar a diversidade de estágios e necessidades que temos…

    Bjs

    Dri

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  2. Igor Faria says:

    Pode ser viagem, mas muito fiz um paralelo à evolução espiritual do ser humano também. Já estudei a pirâmide do Maslow na graduação e agora na pós nós acabamos de revê-la, mas só lendo o seu texto, na hora que vc explicou cada uma das etapas, que me deu esse insight de emparelhar com uma evolução das necessidades de realizações espirituais.

    Como eu disse, pode ser viagem. Mas me deu esse estalo! :P

    E mais: a necessidade social (reconhecimento/fazer parte de um grupo), como vc disse é MUITO relativa. Como o seu amigo, por exemplo. A realização social dele está completa, fechada naquela relação com a mulher, o copo de cerveja, e o controle remoto. Ele não precisa de mais. Ele não deseja mais. Ele está satisfeito socialmente.

    Está ai a complicação dessa segmentação, pois como você disse também, as pessoas são diferentes, tem desejos diferentes. Realização Social – como acabamos de ver – pode envolver coisas completamente diferentes para duas pessoas próximas. Assim como as realizações de Segurança, Ego e Estima. A única que dá pra ter certeza que é a mesma para TODO mundo, são as Básicas/Fisiológicas.

    Pq afinal, todo mundo tem que comer², dormir e eliminar urina e fezes.

    [Reply]

    Adriana Torres Reply:

    Oi Filhote, não acho viagem nada! É isso mesmo, a evolução espiritual acontece pq temos necessidades que nos motivam na busca pela perfeição de nós mesmos… Tudo é relativo. Existe a necessidade de criarmos teorias para explicarmos o nosso modo de agir, pq as coisas são como são. Mas essas teorias devem ser vistas como base para nossa busca, jamais como verdades absolutas, concorda?

    Eu vou além, pois eu acho que a única certeza que temos é que, no fundo, o que todo mundo quer é ser feliz. É a autorrealização, por isso minha ideia de que ela permeie tudo… tem gente que não tá nem aí pra comer, nem pra dormir, nem pra fazer bobice (é, cada doido…rs). Mas todos, sem excessão, buscam se realizar de alguma forma! Bjs Dri

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