Muito se fala hoje em redes sociais e, por ter escrito ano passado um artigo acadêmico sobre o assunto, sempre sinto uma coceira nas mãos ao ler certos conceitos vulgarizados na internet.
De acordo com alguns artigos que já encontrei, podemos concluir que redes sociais são Orkut, twitter, facebook, etc. É isso mesmo? Vamos ver.
A teoria das redes sociais foi lançada, historicamente, em meados de 1930, com o lançamento do livro Who shall survive, de Jacob Moreno e da Revista Sociometry. Em 1970, com o esgotamento do modelo econômico vigente da produção em série e das novas demandas do mercado consumidor por qualidade e variedade, o sistema de produção rígido não satisfazia mais as necessidades de lucro das empresas e do mercado. Mas, foi a partir de 1990 que o debate sobre as redes tomou fôlego e hoje é assunto de variadas teses.
O conceito acadêmico das redes sugere uma estratégia de interlocução entre empresas ou indivíduos em torno de um objetivo comum. Uma nova forma de organização social, onde os participantes, cientes de suas necessidades específicas e dos seus limites em conseguir atendê-las, decidem trabalhar em conjunto aquilo que não dariam conta de realizar isoladamente.
Existem diversos tipos de redes e o que elas têm em comum é sua formação, caracterizada por nós (que representam as organizações e ou as atividades), por ligações (relacionamentos entre os atores), por fluxos (de bens e informações) e posições (estrutura de divisão do trabalho).
As redes podem ser classificadas por sua estrutura, nível de intensidade ou formalidade, e também podem ter variações, como as alianças estratégicas, os programas específicos de cooperação, os processos de terceirização, os sistemas de produção mais flexíveis, os Distritos Industriais (clusters) e os sistemas de inovação.
Não importa se é uma rede com ou sem hierarquia, formal ou informal, o ponto comum é a necessidade premente de colaboração.
Colaborar, no sentido de formar redes para trilhar novos caminhos, tem como objetivo atender um anseio interno, seja do indivíduo, da organização ou do Estado. Unir conhecimentos, expertises, em busca de nos adaptarmos às novas tecnologias, à competitividade louca dos tempos modernos e a uma necessidade de flexibilização frente às mudanças diárias, alterando as relações entre membros da sociedade e/ou do Estado.
Voltamos então para as chamadas redes sociais da internet. Orkut, twitter, facebook são na verdade plataformas de redes digitais, ferramentas tecnológicas para facilitar a troca entre componentes de uma rede. Podemos até formar redes sociais a partir do compartilhamento de informações nessas plataformas, mas isso não significa que elas se tornaram as próprias redes. Deu pra entender?
É o mesmo engano de confundir a Comunicação com seu mix (Propaganda, Relações Públicas, Jornalismo) ou o Marketing ser visto pelas ferramentas que utiliza (Comunicação, Logística, etc). E o perigo desta confusão é que se não sabemos separar o que é instrumento, o que é estratégia, o planejamento ficará manco.
Podemos ter uma rede, como o @nossabh, utilizando diversas ferramentas para mobilizar e compartilhar informações, desde que compreendidas e aceitas pelo seu público-alvo. Também podemos iniciar uma rede dentro de uma plataforma digital, como o twitter, e criar novos espaços de interação entre os membros, em blogs, no ning e encontros presenciais!
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como já disse um sábio desconhecido. Profissionalizar significa colocar cada um no seu devido espaço e saber interligar os conceitos com a prática.
Fica, para um post próximo a reflexão sobre o marketing digital e como ele utiliza essas plataformas para atender as estratégias e atingir seu objetivo de fomentar a troca!





Nossa Adriana!
Muito bom seu artigo! Tocou em dois pontos essenciais que poucos perceberam:
Agora como vamos conseguir mudar nosso modelo de atuação em uma organização social estratificada, hierárquica, para uma mais orgânica e dinâmica? Quem conseguir responder primeiro a essa pergunta e se adaptar mais rapidamente às redes sociais (on- e offline) certamente terá grandes resultados no século XXI!
Parabéns pelo ótimo artigo!
[Reply]
[...] com verdadeiras redes sociais desde 2009 (se quiser entender o significado de verdadeiras leia este post onde explico a diferença de rede social e plataforma digital, ou seja, twitter, facebook e etc) [...]