Adriana Torres

Porque Relacionar é preciso

Posted by Adriana Torres | April - 13 - 2010 | 20 Comments

Nos últimos meses, participei de dois longos debates na internet sobre a empregabilidade para profissionais com mais de quarenta anos de idade. Depoimentos emocionados, alguns até um pouco desesperados, me fizeram parar para pensar em relação aos estereótipos existentes no mercado de trabalho – e como lidar com eles (afinal, eu também já estou caminhando em passos largos para esse time…)

Pelas vagas que recebo diariamente e, por todos os comentários que já recebi, cheguei a conclusão que existem sim preconceitos com profissionais acima da idade citada. Vou tentar desmistificar alguns:

  • O profissional acima de 40 já está cansado do trabalho, quer sombra e água fresca: Falácia pura. Conheço jovens que nasceram cansados. E, sinceramente, eu tenho hoje muito mais pique que nos meus 20 anos. Sei o que quero, com mais foco e determinação!
  • Os mais velhos têm dificuldade em lidar com as novas tecnologias: também falo por mim, sou uma apaixonada com a tecnologia. E, apesar de não ser da área de TI, tenho grande facilidade em aprender novas tecnologias (pode perguntar para o @alighieriadamo, ele que fez esse site lindo e, acredito, está satisfeito com sua aluna). Mas para mim o grande exemplo é uma ex-vizinha de minha mãe, que, para passar o tempo, resolveu alguns anos atrás comprar um computador e é hoje blogueira de primeira. Detalhe: ela tem 80 anos!
  • Eles também tem dificuldade com mudanças, preferem o conhecido do que se arriscarem em novos empreendimentos: Também vejo isso como marca de personalidade, não da idade. Claro, quando temos filhos, esposa ou marido, é realmente necessário pensar mais antes de jogar tudo para o alto. Mas só se tem filhos após os 40?
  • Acreditam que já sabem tudo e que não precisam mais aprender: Para mim esse é o preconceito mais errôneo dos que cito aqui. Quando somos jovens, o orgulho é um companheiro constante. Acreditamos que sabemos tudo! E é a idade, os cabelos brancos (e os milhares de nãos e tombos que levamos na vida) que nos ensinam a famosa frase de Sócrates: “Só sei que nada sei”
  • Pessoas mais jovens são mais fáceis de lidar, por não terem tanta bagagem: os jovens da atual geração, são, em sua maioria, mais complicados de lidar. Tem dificuldade com hierarquia, não medem palavras e querem tudo pronto ontem! E o português? Sem comentários…  Além disso, por não terem muita experiência, querem sempre testar a última novidade do mercado em matéria de conhecimento – teorias lindas no laboratório mas, para quem já tem anos de estrada, é sabidamente perda de tempo. Sim, experiência é algo bom, mesmo vindo com algumas linhas de expressão…
  • Pessoas com mais experiência custam mais caro: claro que um currículo melhor merece sim um salário à altura. Mas veja, como estão fazendo as contas do investimento em pessoal? Ou ainda pensam que recursos humanos é custo? Um profissional qualificado, com experiência, certamente é uma grande economia para a empresa, se essa conseguir ver além do valor da folha de pagamento.

    Além disso, existem dois grandes paradigmas:

    • Se o expert possui um currículo invejável, seja no conhecimento (currículo acadêmico) seja nas habilidades (empresas e cargos por quais passou) e está se oferecendo para um cargo menor, a futura chefia imediata fica insegura (ou ele está buscando essa vaga só para sobreviver e quando achar algo melhor, irá embora, ou ele está querendo o cargo do futuro chefe!): Sim, isso pode acontecer (os dois casos), mas aí vai o feeling do recrutador e também a capacidade da empresa de reter talentos, certo?
    • Mas, se no entanto, o futuro empregado passou dos quarenta ainda em cargos operacionais, chegando no máximo a um analista nessa idade, ele é sem ambição: não pare no currículo! Veja a história de vida dessa pessoa. Se ele começou como bóia-fria, estudou somente quando teve condições (anos mais tarde), ele pode ser considerado alguém que não corre atrás? A entrevista é uma ótima forma de conhecer um pouco mais sobre qualquer profissional, pois palavras em uma folha de papel são fáceis de escrever…

      Eu me sinto cada dia mais motivada no meu trabalho diário. Enquanto trabalhava 8 horas por dia 20 anos atrás (e ficava morta), hoje me arrisco a ir (bem) além, pelo prazer de fazer algo que eu escolhi e batalhei por toda a minha vida. Como já disse Rita Lee, ainda estou viva e cheia de graça! ;-)

      Que os gestores de empresas e, principalmente, de RH, parem e reflitam, antes de descartarem os currículos somente pelo “peso da idade”. Se são jovens ainda, saibam que a diversidade em uma empresa é fator de sucesso. E que os maduros de quarenta do século XXI são bem diferentes dos maduros do século XX…

      E, para quem chegou nessa idade e está em busca, algumas dicas:

      • Algumas empresas e setores preferem os mais maduros. Exemplos: Jovens empresas (precisam de pessoas com mais experiência); setores mais maduros como mineração, siderurgia, metalúrgica (que inclusive estão chamando os aposentados de volta a ativa, pela falta de mão de obra qualificada).
      • Pense em abrir uma empresa: Hoje muitas empresas estão contratando em regime de pessoa jurídica. Principalmente pessoas mais velhas. É uma boa para você e para a empresa, pois ela tem condições de pagar salários melhores, sem tantos encargos trabalhistas.
      • Abra sua mente: Hoje eu conversava com um amigo sobre a necessidade de estarmos abertos às oportunidades. E isso vale para qualquer idade. Mudança de cidade, estado ou país, mudança de carreira ou mesmo a chance de se tornar consultor (ou voltar ao mercado de trabalho, pois era o teor da minha conversa) podem surgir à sua frente – esteja pronto para os desafios, pois a vida nos reserva boas surpresas, desde que estejamos prontos para aceitá-las!
      • Pensamento positivo: Sei que parece coisa de livro de auto ajuda. Mas não é. Experiência própria. Quando definimos uma meta em nossas vidas, precisamos acreditar nela e não nos deixarmos convencer do contrário. Lembro quando fui prestar o vestibular, em 2001. Várias pessoas, inclusive irmãs, me falaram que eu não me preocupasse muito, pois estava já há dez anos sem estudar e teria poucas chances de passar, já que era a primeira vez que eu tentava, seria como um teste. Mas eu não via assim. Eu sabia que ia passar. E dei o melhor de mim. O resultado, muitos sabem: passei em primeiro lugar no vestibular de Marketing da Newton Paiva. Tomei gosto por essa posição e a mantive até o fim do curso!

      Por fim, deixo aqui uma frase que sempre me tocou e que, espero, ajudem vocês a refletir: “ Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. (Jean Cocteau)

      Bjs!

      Dri Torres

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      20 Responses so far.

      1. Dri, você é uma aluna muito aplicada e adoro trabalhar com você, mesmo você me dando bronca por não ler o briefing. hahaha! Quanto a matéria, concordo em vários pontos e acho que independente da idade, toda pessoa que acompanha as mudanças em todos os aspectos: sociedade, mercado de trabalho, mudanças de comportamento saberá como lidar com tudo isso! ;)

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        Eu sei que sou chata, eu sei…não precisava divulgar! :-)

        É importante sim a pessoa acompanhar as mudanças. Não somente os que estão em busca de um trabalho, mas também os que buscam novos profissionais para a empresa! E é mais para eles que deixo essa reflexão, para que não engessem o pensamento em premissas falaciosas. A idade, assim como o sexo, a opção sexual, a cor, a religião não devem ser fatores de escolha na hora de definir o perfil de um cargo!

        Bjs

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      2. Saturno says:

        PGA Vc bem sabe o quanto vivenciei isso. Quantas vezes na entrevista o RH me dizia que eu ra muito velho ou tinha experiência demais para o cargo em questão. Me diziam que iria dar problemas pois iria trabalhar com pessoas mais jovens, muitas vezes subordinado às mesmas. Não adiantava argumentar que só iria acrescentar. Não entendiam dessa maneira. Mas isso só acontece aqui, pois sei que na Espanha, por exemplo, dão muito mais valor a experiência mesclada com a idade. Penso que aos poucos isso vai mudar, pois leio que algumas organizações estão a procura desse perfil, e principalmente do polivalente, que adquiriu essa experiência nas múltiplas atividades exercidas ao longo do tempo. Vamos esperar para ver. Abs e parabéns pelo site. Saturno

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        Sei sim meu amigo. Mas te falo, não é só aqui. Num dos debates que participei, um cara que está morando no Canadá ou nos USA, não lembro, falou que lá acontece do mesmo jeito…

        Mas, como você disse e eu mesma postei, tem empresas e mercados que já acordaram para o valor da experiência que carregamos. Bora fazer nossa parte, mostrando o pique, a flexibilidade e a capacidade de aprendizado que faz parte de nós!

        Obrigada pela visita novamente… espero ver você sempre aqui!

        P.S. Hoje assisti o vídeo da nossa formatura. Meu Deus, quanta saudade de você, da Edna, da Lê, do Leão e outros no meu dia a dia… :-)

        Bjs

        Dri

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      3. Sergio Bonilha says:

        Dri, Mais uma ótima matéria. Tô virando fãzoca seu !! Queria lhe agradecer porque este texto é uma homenagem aos “seniors” do mercado como eu, que buscam se atualizar para acompanhar a evolução das coisas (profissionais e pessoais) Obrigado do fundo do coração. Sérgio

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      4. Sergio Bonilha says:

        Se me permite vou colocar um link no Linkedin (xiii, virou cacofonia… hehe) para que todos dos meus grupos possam ver, ok? Beijo

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        Nossa, vou até arrumar esse post de novo…rs foi um dos primeiros que escrevi e foi graças aos debates no Linkedin e alguns sêniores que ajudei no Grupo Solidário e que tanto me emocionaram com seus depoimentos…

        Tenho um projeto em minha mente para tentar ajudar essa turminha…assim como os deficientes físicos (já reparou que vaga pra deficiente físico é usualmente de boy, almoxarife, etc? O povo acha que só existe deficiência mental) e os jovens buscando o primeiro emprego (exigir experiência de quem acabou o ensino médio é foda, né? =/)

        Vamos ver o que consigo..darei notícias!

        E obrigada pelo carinho, isso que me motiva a continuar escrevendo!

        Bjs

        Dri

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      5. Sergio Bonilha says:

        Dri, Eu recebo diariamente muitas vagas e me chamou a atenção uma empresa que se especializou em contratar deficientes físicos em varios cargos. Achei o máximo ! É muito bom ver que pessoas como voce se mobilizam em ajudar ! Obrigado de novo, e que voce tenha muito sucesso, sempre Beijo carinhoso Sérgio

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        Opa, então passa pra mim, pelo email adriana@adrianatorres.com.br

        Eu me recuso a ficar divulgando vaga chinfrim pra eles. Acho maior falta de respeito… aliás, só divulgo vagas aqui acima de certo valor e também que estejam condizentes com o cargo. Se for salário incompativel, tá fora! rs

        Eu creio que um dia a sociedade vai descobrir o poder que tem. E as empresas (públicas e privadas) vão ficar com o pires na mão (pra não dizer outra coisa) atendendo o que nós desejamos, não eles!

        Bjs e obrigada!

        Dri

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      6. Sergio Bonilha says:

        Oi Dri, Normalmente eu leio meus emails, vejo as vagas que posso aproveitar e depois apago (recebo mais de 100 por dia). Assim que receber outro daquela empresa eu te encaminho o nome e o contato, OK? Beijo e Otimo feriado! Sérgio

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      7. Adenias Gonçalves Filho says:

        Dri, Como ingressei no Grupo recentemente, ainda não havia tomado conhecimento de seu artigo muito oportudo e sensato, e, como senior tenho experienciado muitos dos aspectos que você aborda. Parabéns com gratidão por sua iniciativa. Abraços, Adenias Gonçalves Filho

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        Obrigada pelo comentário Adenias. Espero, sinceramente, que textos e debates a respeito possam ajudar a promover essa mudança cultural!

        Abraço,

        Adriana

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      8. Iracema Santos says:

        Lindo texto!!!! Parabéns. Acima de tudo verdadeiro. Não cheguei aos 40 mas ja sinto o peso da idade nos processos seletivos onde geralmente estou entre os mais velhos. Esta discriminação é cruel e corroi a alma…Temos que nos manter com a auto estima em dia, senao sucumbimos. Uma coisa que voce falou gostaria de destacar, ter uma empresa pode ajudar sim, meu pai é aposentado e tem 62 anos e voltou a ativa numa grande mineradora como pessoa juridica. Fica ai o incentivo.

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        Valeu Iracema! E ótimo exemplo o seu…

        Autoestima é tudo, precisamos segurar a onda, respirar fundo e lembrar, que acima de tudo e todos, tem alguém olhando por nós… e é O CARA! ;-)

        Bjs

        Adriana

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      9. José Pardini says:

        Olá Adriana, oportuno seus comentários,e para mim na hora certa. Quanto a trabalhar com gente mais jovem, me dei muito bem ao passar a êles meu conhecimento quando necessário, estes me procuravam sempre querendo ouvir algo que lhes trouxesse entusiasmo e atividade. Atualmente estou procurando recolocação como gestor de infraestrutura em TI e telecom, área que atuo desde 1992. Abraços e sucesso!

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        José Pardini,

        sua área é muito movimentada – e uma dica que lhe dou é buscar realmente empresas jovens, pois eles precisam de experiências, daqueles que sabem o que funciona realmente (e não só teorias de laboratório).

        E trabalhar com jovens é fantástico! Eu adoro! Mas adoro mesmo é mesclar, jovens, sêniores, homens, mulheres, calmos, loucos… a diversidade é sempre espantosamente criativa. E o conflito bem administrado gera inovação e força!

        Abraços e sucesso para nós!

        Adriana

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      10. Marcílio Curi says:

        Ola Adriana, bom dia!

        Estou há 08 meses buscando recolocação como Controller e já estou pensando em desistir da área. É impressionante o número de anúncios de vagas com limitação de idade até 35 anos. Me sinto como um senior cheio de energia e capaz de atuar como líder formador para os jovens. Aliás me relaciono muito bem com eles. Você tem alguma dica que poderia me ajudar?

        Agradeço a atenção,…Marcílio

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        Marcílio,

        Você tem tentado em outras cidades além da sua? (aliás, qual a sua cidade?) Verificou empresas da área de TI e de Mineração/construção? Esses setores costumam preferir profissionais sêniores nas funções financeiras/administrativas.

        Uma outra dica importante: você tem alguma reserva financeira para contratar um headhunter? Dependendo da cidade onde mora ou o que busca, acredito ser um ótimo investimento (não estou falando de sites como catho e outros, mas de um profissional gabaritado mesmo…)

        Me envie seu cv e essas respostas por email. Vamos trocar mais informações… (adriana@adrianatorres.com.br)

        Abraço

        Adriana

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      11. stella says:

        Dri…quanta verdade eu li nas suas palavras..qto preconceito..quantos conceitos ultrapassados….inclusive tem um que é o que geralmente acontece comigo..me candidato a algo menor…e nada consigo justamente porque pensam que estou alí no desespero..que na primeira oportunidade sairei. Eles esquecem de uma coisa chamanda compromisso, que é uma coisa que falta muito nos jovens…e outra coisa..temos muita lenha prá queimar ainda… vc vai prá Europa, EUA, todo mundo trabalha, não importa a idade, desde que vc possa trabalhar..nós somos subdesenvolvidos sim..e encontrar gente de visão aqui nesse país é como procurar agulha num palheiro.Até a mente desse povo se abrir vai custar…. bjus

        [Reply]

        Adriana Torres Reply:

        Oi Stella… eu tb conheço jovens compromissados, acho que tem mais a ver com a criação, saca? Mas enfim, preconceitos existem, de ambas as partes. Precisamos parar de rotular as pessoas pela sua idade, pelo seu genero, pela suas crença e passar a ver as pessoas pelo que ela são, ou seja, pelas suas reais atitudes!

        Bjs e obrigada pelo comentário!

        Dri

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