Algo que me assusta hoje é a profusão de blogs e comentários sobre a utopia dos que crêem em alguma religião. Como consultora de marketing – ligada às novas plataformas e estratégias utilizadas para a definição de ações no marketing digital, estou sempre bisbilhotando o twitter, Orkut, facebook (e agora o Buzz) em busca de descobrir o que está atraindo a multidão.
Porque, reparem, usualmente a maioria segue uma mesma estrada, uma opinião, por mais tola que ela possa parecer. Foi assim que Jesus teve seus dias contados (e ele sabia disso), que Lula conseguiu seus 80% de aprovação, que a tal Geisy foi agredida na Universidade e tantos outros casos de “unanimidade burra”. Isso porque, a meu ver, existem unanimidades inteligentes, a partir do momento que trazem coisas boas para a sociedade. E, em minha tosca opinião (esse blog é meu, posso falar o que eu penso, ok?) os casos acima se enquadram na primeira opção.
Mas estou me alongando nesse ponto mais que o necessário.
Enfim, em meus passeios cibernéticos, encontro, a cada dia, novos posts depreciando as religiões – escritos por ateístas convictos que, ao invés de defenderem seus pontos de vista, atacam os religiosos de forma contundente. Veja, nada contra ateístas, tenho tios, amigos e uma infinidade de conhecidos que não crêem em absolutamente nada (assim como também me orgulho de ter amigos de todas as religiões, a diversidade para mim é um grande e divertido aprendizado).
Adoro conversar com meus amigos @guhcampos e @celsoldc, dois ateístas convictos que possuem teorias interessantes sobre o assunto. O problema não é ser ateu. Mas defender o ateísmo a partir de premissas falaciosas que tais pseudo-intelectuais berram aos quatro ventos para se fazerem ouvir – e o que é pior – são seguidos por jovens que, sem muita maturidade ou tempo para pesquisar a respeito, concordam e perdem a grande oportunidade de se aprofundarem em um debate tão construtivo. São os ateus ortodoxos, que fizeram da não-religião a sua religião. Entenderam?
Ao invés de se manterem no “eu não creio”, fazem afirmações tacanhas para se fazerem ouvir, defendendo, muitas vezes, de forma ilógica, a não-crença deles. E ai de algum tolo que resolva discordar a respeito… Ao invés de argumentos no campo das ideias, ouvirão ofensas pessoais, partindo de premissas baseadas em preconceitos, não em teorias comprovadas.
Vejamos algumas dessas:
- Existem religiosos ruins, ignorantes e preconceituosas – portanto a religião é ruim, ignorante ou preconceituosa. O religioso x é pedófilo, o y rouba dinheiro da viúva, o z é mau caráter. Esse post começou exatamente por causa de um debate semelhante na internet. Julgavam a religião a partir da pessoa que a defendia. Ora, seria como eu condenar o ateísmo por conta desse rapaz que escreveu isso. Ou, como eu mesma debati em seu blog, desacreditar a Medicina porque minha irmã faleceu devido a um caso de negligência médica – ou minha mãe ter contraído uma doença incurável devido a um tratamento de câncer que foi “dimensionado” de forma incorreta.
Eu continuo indo aos médicos, pois a Medicina é imprescindível e, mesmo estando longe de saber tudo, é o que temos de melhor para enfrentar os problemas físicos (tá, eu combino a mesma com a medicina chinesa, a homeopatia e passes – minha cabeça é bem aberta para saber que “existem mais coisas entre o céu e a terra que sonha a nossa vã filosofia”).
- Quem acredita em alguma religião é contra a ciência e, portanto, é ignorante. Opa! Sei que não falam exatamente assim… mas dá pra ler nas entrelinhas, não é? Só ler o post do amigo @gravz aqui. Falácia, pois ele na verdade se refere a algumas crenças (bem poucas hoje em dia) que separam a ciência da religião. No meu caso, como espírita que sou, acredito na grande afirmativa de Kardec “Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da Humanidade”. Vemos nessa frase o princípio cartesiano, que é mais destrinchado em outros parágrafos e livros de Kardec, onde dizia ser preferível rejeitar nove verdades do que aceitar uma única falácia.
Teria mil e um exemplos para citar aqui, mas fico nesses e repito – essa história de fé x ciência já cansou, viu? E ignorante (que desconhece, isso não é um xingamento) é aquele que não se aprofunda em conhecer a teologia para depois afirmar tolices iguais a essa. Religião também pode utilizar métodos científicos e formular teorias, beleza?
- Religiosos são conformistas: Mais uma generalização profana. Claro que existem pessoas que preferem sentar em suas nem sempre confortáveis poltronas e dizer – ah, isso aconteceu porque Deus quis assim. Mas conheço diversos religiosos, de várias doutrinas (inclusive eu) que compreende a velha máxima – que todo efeito tem uma causa – e que somos regidos por leis naturais, não tendo o Sr. Deus que ficar o tempo inteiro limpando nossa baba.
Assim como nossos pais (os bons né?) definiram limites e regras em casa para facilitar o dia a dia, Deus – que é perfeito lembra? Também as criou – e tudo que passamos ou deixamos de passar está vinculado às nossas escolhas e as leis naturais que regem o universo. Como disse o lindo poema do filme Invictus : “ eu sou senhor do meu destino, sou o capitão da minha alma”.
- Se Deus existisse, não teríamos tanta desgraça no mundo: Essa frase me lembra muito o livro “A Cabana”. Longe de querer discutir a fantasia de ter uma Joana como Deus (Joana era empregada da minha Tia, anos atrás, e, creiam, ela é o Deus imaginado pelo autor!) a base de argumentação do livro se encaixa na teoria do famoso livre-arbítrio. Nada acontece sem termos nossa quota de responsabilidade. Seja nessa ou em outras vidas… “Ah, mas aí você está sendo tautologista” Não. Tem muitas coisas que ainda não sei o por quê. Mas, não é por não saber que vou negar a existência de Deus e sim, aceitar minha condição de ser-em-evolução, que muito precisa aprender para saber tudo – se é que um dia saberei. Afinal, nenhum cientista que se preze pode dizer: eu sei tudo!
Se Deus ama todos os seus filhos – ele não pode ter preferência por um ou outro, correto? Seja ele ateu, evangélico, político, ladrão… Se a mãe de Guilherme de Pádua tem a capacidade de amá-lo, ora, Deus também tem – e muito mais! Agora, as escolhas que o jovem fez ao assassinar (ou participar do assassinato, ninguém sabe ao certo) da linda Daniela Perez é culpa de Deus? Então, caro ateu, você está sendo muito menos científico do que eu!
- Se Deus existe, então prove! Tenho diversas outras frases que retirei de posts ateístas, mas, para tentar encurtar esse e terminar com chave de ouro, nada melhor que essa afirmação. Alguns ainda afirmam: “Se Deus quer que eu acredite nele, apareça para mim! Prove-me que ele é verdadeiro!”.
Homens…até quando o orgulho irá deturpar nossos pensamentos e sentimentos? Você acha realmente que Deus, O Cara, o Perfeito, O Onipresente, vai ficar fazendo festinha para provar que existe só porque você não acredita? Ah tá.
Desculpe minha ignorância… mas se eu, que sou esse amontoado de virtudes e defeitos, não ligo a mínima para quem não acredita em mim, você pensa que Ele vai ficar de cabelo branco por sua causa? Desculpe viu, mas é de rir. Pergunto então – se Deus não existe – me prove! Ouso afirmar que a minha hipótese da existência de Deus é contradita por outra hipótese de quem não acredita nisso, não por uma afirmativa com provas irrefutáveis. Estou aberta às provas. E você? Está?
Para mim, uma excelente resposta está na pergunta 4 do Livro dos Espíritos, quando questionam aos Espíritos onde podemos encontrar a prova da existência de Deus, no que são respondidos: “ Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa.” Ou seja, volto ao que falei desde o inicio do post. E caramba, veja, essa é uma afirmação científica!
Minha crença não afetará sua vida, acredite. Nem a sua fará qualquer diferença na minha. Mas convenhamos, que tal voltarmos à época em que os bons debates (como os que tenho com meus amigos) são firmados em cima de argumentos hipotéticos e não em afirmações sofistas? Bem mais bacana né?
Bjs
Dri Torres
P.S. Recebo e costumo postar os comentários de todos os visitantes. Mas, como sou uma autoritária arrogante, não aceito os que tenham cunho ofensivo ou com palavras de baixo calão. Portanto, mantenham-se na linha, ok?





Fé é vem do desespero de se sentir só em face ao mundo desconhecido e frequentemente hostil. É a resposta mais fácil. Escolher ela é no mínimo conformista, e consequentemente irracional. É interessante ver você tentar justificar sua crença baseada em livros (quaisquer que sejam). Tente se distanciar do conhecimento fossilizado e buscar sua filosofia. Isso é o que um ateu faz antes de virar ateu. Mas duvido, e muito. Poucas pessoas conseguem sequer conceber olhar por fora da bolha dos costumes e tradições.
[Reply]
Adriana Torres Reply:
March 23rd, 2010 at 11:07 am
Carlos,
quando eu tinha 11 anos, li a Bíblia (sim, ela inteira) e não me convenci de muitas coisas. Até que, aos 13 anos, tive contato com os livros de Allan Kardec e, posteriormente, de Chico Xavier. Também li sobre outras religiões e pude conhecer a visão de ateístas interessantes, como Marx. A minha fé não é de desespero, até por que nasceu em uma época em que problemas não eram usuais em minha vida… Sempre busquei pautar minha vida pela escolha raciocinada.
Quando eu digo que o ateu “ortodoxo” não consegue debater no campo das ideias, você vem e me comprova isso, ao dizer que minha escolha vem de um conhecimento fossilizado e que é irracional. Esse debate já deu né?
Respeito sua inteligência e acredito que buscou bases para justificar sua não crença. Mas olha que bacana, eu também! Claro, sou apenas uma mulherzinha atrevida achando que sei algo. Mas acredito que Newton também o fez. Sócrates… e tantos outros crédulos irracionais, que vivem dentro de costumes e tradições!
[Reply]
Esse debate já deu.
Não concordo com os ateus ativistas, os ateus que se igualam aos religiosos sempre na cruzada para angariar fiéis.
Continue acreditando em fantasia. E nós continuamos rindo de vocês.
[Reply]
Adriana Torres Reply:
March 23rd, 2010 at 3:34 pm
Enquanto você não me der argumentos melhores, quem estará rindo sou eu, acredite!
[Reply]
Um bom começo está aqui. http://elimaxinanutshell.blogspot.com/2010/01/provando-que-o-deus-dos-cristaos-nao.html
Bem introdutório Claro E baseado em vários livros sobre o tema
[Reply]
Adriana Torres Reply:
March 24th, 2010 at 10:43 am
Alex,
as respostas do texto são tão falaciosas que fiquei até com preguiça de ir até o final. Poderia fazer como fiz com o Nilson e rebater uma a uma das mesmas, mas ia ficar um reply tão gigante que sugiro a você, que parece ter uma mente bem aberta, ler “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. Para todas as respostas ali colocadas você irá encontrar um rebate bem interessante no livro.
Mas, para não dizer que fui preguiçosa – apenas uma palhinha:
“O bom permite o mal” Nessa passagem, o autor fala de uma tragédia ocorrida. No livro dos Espíritos, sugiro ler o capítulo “Da Lei da Destruição”. http://livrodosespiritos.wordpress.com/leis-morais/cap-6-lei-de-destruicao/
Agradeço pelo comentário e pelo link. Assim que todos deveriam fazer, debatendo no campo das ideias e não de ataques pessoais… valeu!
Abrs
Dri
[Reply]
Assim como aconteceu com os cientistas que propuseram, por exemplo, os modelos atômicos, o ônus da prova de que de fato existe algo que não é visível, palpável ou perceptível de alguma maneira objetiva está com o proponente. Por isso não é necessário “provar que não existe”.
A partir do momento que existir algum tipo de prova que passe pelos critérios do rigor científico, aí sim quem quiser ir contra teria de se preocupar com alguma contra-prova.
De qualquer maneira, é possível invalidar diversos princípios de religiões específicas utilizando lógica e premissas da própria religião. Por exemplo, no espiritismo, tem-se a idéia de que Deus é justo e onipotente. Desta maneira, todas as almas foram criadas igualmente, caso contrário seria injusto. Se todas foram criadas iguais, como é que algumas apresentaram uma predisposição maior ao mal do que outras (considerando que a lei de causa e efeito é válida e, portanto, o universo é regido por uma lei de causalidade)?
Ou Deus é injusto, ou os conceitos de bom e mal não são válidos (e portanto nenhum princípio moral se aplica), ou o universo é regido pela aleatoriedade (que não está sob controle de Deus, ou seja, não é onipotente).
[Reply]
Adriana Torres Reply:
March 24th, 2010 at 10:22 am
Oi Nilson,
que prazer ter um comentário como o seu, obrigada!
Então – no Livro dos Espíritos – capítulo – Dos Espiritos, tem-se uma sequência de perguntas e respostas relativas a isso:
114 “Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se melhoram?” “São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem inferior para outra mais elevada” 115. “Dos Espíritos, uns terão sido criados bons e outros maus?” ” Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros, só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, pemanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade.” a) “Segundo o que acabais de dizer, os Espíritos, em sua origem, seriam como as crianças, ignorantes e inexperientes, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos de quem carecem com o percorrerem as diferentes fases da vida?” “Sim, a comparação é boa. A criança rebelde se conserva ignorante ou imperfeita. Seu aproveitamento depende da sua maior ou menor docilidade. Mas, a vida do homem tem termo, ao passo que a dos Espíritos se prolonga ao infinito”.
Você poderia perguntar por que alguns Espíritos escolhem o caminho do mal e outros do bem. O ignorar permite que se façam escolhas. Algumas crianças teimam em colocar o dedo na tomada para ver se realmente tomam choque, outras seguem os conselhos dos pais. Mas aí seriam diferentes? Todos temos o mesmo princípío, mas a partir do momento que começamos a percorrer a estrada da evolução, fazemos escolhas diferentes. Isso caracteriza nossa individualidade, tornando cada Espírito único. Aí, encontramos na terra (e em outros planetas) Espíritos de diferentes etapas de evolução e. com isso, de capacidade em fazerem o mal ou o bem. “A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que ele deixa a cada um, porquanto, assim, cada um tem o mérito de suas obras.”
Veja Nilson, não quero aqui fazer apologia ao espiritismo ou a qualquer religião. Como boa espírita, respeito e reafirmo a necessidade de termos na Terra diversas religiões (e até não religiões), baseada no príncipio da diversidade de escalas de espíritos. Apenas não resisto a esclarecer o que a filosofia espírita fala sobre o tema colocado tão bem por você. O que quis nesse post é justamente ir contra essa onda de preconceitos contra quem crê em algo diferente do outro. Não é por que a pessoa escolheu determinada religião que vou medir seu grau de inteligência. Claro que existem pessoas que escolhem seus caminhos pela força do hábito, ou pelos costumes e tradições como disse o nosso amigo Carlos. Mas conheço muitas que fizeram baseadas em “métodos de rigor científico”, por mais louco que isso lhe pareça.
Não vejo também a teoria espírita como verdade absoluta. Eu a reconheço como algo que satisfaz meus questionamentos, que na infância foram tantos, assim como você mesmo se definiu ateu por achar suas respostas nessa teoria… mas, se amanhã surgir uma outra resposta, que eu considerar mais válida, eu a adotarei. Não é virar casaca. É ter a mente aberta para novos conhecimentos.
Acredito que a Ciência evolui sempre que as premissas já estabelecidas são questionadas e testadas. Não sabemos tudo. E estamos longe de saber…Essa busca pelas respostas é a parte mais divertida da vida, concorda?
Abrs e mais uma vez obrigada!
Dri
[Reply]
Voltei… =) Na sua última resposta você encontra respectivamente a “resposta mais fácil” e o “desespero” que eu disse antes: Citação: “Eu a reconheço como algo que satisfaz meus questionamentos, que na infância foram tantos (…)”
Resumindo: Religião não é ciência, quando Chico Xavier for capa da Science você me chama.
[Reply]
Adriana Torres Reply:
March 24th, 2010 at 5:49 pm
Seja bem vindo de volta! =)
Eu sempre fui aquela criança chata saca? Aquela da propaganda: mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Mãe e professores piravam comigo. Isso é sinal de desespero ou só uma chatinha extremamente curiosa?
Anos depois, descobri que essa foi a razão do meu avô ter sido convidado a se retirar do seminário que foi colocado (de forma imposta) pela minha bisacó. Ele perguntava demais… Minha mãe era católica. Meu avô paterno, ateu. Meu avô materno, espírita (o expulso do seminário). Minhas duas avós, carolas da igreja catolica apostólica romana… Minha família é bem brasileira, tem de tudo… Eu perguntei, vasculhei, estudei – e fiz minha escolha! Não era a resposta mais fácil, mas a que me deu as respostas que eu buscava!
E religião não É ciência. Mas podem sim caminhar juntas. O espiritismo, em sua concepção, se baseia em um tripé: religião, filosofia e ciência.
Capa da Science acho que não foi ainda. Mas tem diversas monografias a respeito, inclusive de mestrado e doutorado que falam sobre o tema! Existe um congresso anual em BH, na UFMG, famoso, realizado pela AME – Associação Médico Espírita do Brasil… e veja, até tribunal de justiça já aceitou carta psicografada do Chico Xavier como prova de defesa (veja o filme, vai estrear dia 02, é baseado no livro “as vidas de chico xavier”. Eu já li e tem essa passagem lá…
Resumindo: ainda não me convenceu… rs
[Reply]
Longe de mim tentar te convencer, até porque como disse, deixo a conversão para os religiosos. Só mostrei o que penso. Se alguma coisa existe, é visível, palpável ou perceptível, como bem disse o Nilson ali. Continuei a discussão porque vi que você é uma pessoa boa de discutir isso.
Mas falando numa boa, só aceito a Science mesmo… heaheahha
[Reply]
Adriana Torres Reply:
March 25th, 2010 at 11:23 pm
Eu adoro debates, Carlos, desde que sejam sempre em um nível bacana! (só não consigo manter o nível quando o assunto é futebol…rs)
Obrigada por ter vindo aqui comentar e travarmos esse bate papo. Espero que venha outras vezes… não pretendo falar muito de religião aqui, não é o caso. Mas tenho certeza que teremos outros assuntos para exercitar nossos neurônios!
Estou pensando em fazer um post em homenagem ao Chico. Não por ser espírita, mas por que ele realmente era O CARA. Para mim, um verdadeiro filho do Brasil. E estou na torcida para o filme dele bombar!
Abrs
Dri
[Reply]
Vejo que você tem um grande conhecimento sobre o Espiritismo. Gostaria de saber algumas questões que me incomodam a respeito dessas ideias.
Se nós somos livres para fazer o que quisermos, desde de que respondamos por nossas ações é possível um espirito que tenha uma consciência media ou avançada sobre a verdade querer estacionar no processo evolutivo?
Quando se alcança a perfeição, nós perdemos os desejos de todas as coisas que gostamos?
Se perdemos, isso quer dizer o que? Que há a possibilidade de nós tornarmos seres perfeitos que nada fazem, além de admirar Deus e o Universo em estado de inércia?
Meu pai é Espirita desde criancinha e ele me disse certa vez que Quando chegamos a perfeição não faremos coisas que gostávamos quando eramos imperfeitos. Mesmo que estas não fossem más. E que acharemos ridículo essas coisas. E que apenas nós lembraremos das coisas que fizemos. Isso seria o NIRVANA?
DEFINIÇÃO do Nirvana : um estado de calma, paz, pureza de pensamentos, libertação, transgressão física e de pensamentos, a elevação espiritual, e o acordar à realidade.
Alcançar o Nirvana é como dissolver o ego, deixar de existir como uma entidade separada do resto do mundo e com isso quebrar a roda do carma, interrompendo o processo de contínuos renascimentos.
Fonte: Wikipédia
Se nós alcançarmos o Nirvana, na definição acima não seria o mesmo que nós tornarmos o nada? Já que parece ser um estado de Torpor?
[Reply]
Adriana Torres Reply:
August 14th, 2010 at 9:36 pm
Oi, Otávio,
Seja bem vindo! Obrigada pelo c omentário…
Eu não sou uma expert. Pelo contrário, convivo com pessoas com um nível muito mais alto de conhecimento em relação ao Espiristimo. Sou apenas uma curiosa de nascença que procura sempre saber um pouco mais a respeito de tudo nessa vida…
Mas vou tentar responder suas indagações, baseada em respostas dos Espíritos reunidas nas obras de Kardec e que tratam dos temas propostos.
“Se nós somos livres para fazer o que quisermos, desde de que respondamos por nossas ações é possível um espirito que tenha uma consciência media ou avançada sobre a verdade querer estacionar no processo evolutivo?”
Temporariamente, sim. Como nós mesmos um dia cansamos de tantos problemas no trabalho ou na vida pessoal e decretamos férias ou anos sabáticos (apesar de muita gente ainda não entender o que realmente significa isso, virou moda…rs). Porém não permanentemente. Porque? Todos os espíritos foram criados para a perfeição. E, uma hora, vendo nossos entes queridos evoluindo, mudando de planos e nós na mesma condição, pedimos uma oportunidade para darmos continuidade a nossa tarefa. A marcha do progresso é inevitável e pode ser percebida nessa pergunta do Livro dos Espíritos:
332 – Pode o Espírito apressar ou retardar o momento da sua reencarnação?
R: “Pode apressá-lo, atraindo-o por um desejo ardente. Pode igualmente distanciá-lo, recuando diante da prova, pois entre os Espíritos também há covardes e indiferentes. Nenhum, porém, assim procede impunemente, visto que sofre por isso como aquele que recusa o remédio capaz de curá-lo”.
Ou seja, a encarnação é necessária para a evolução do espírito, pois fomos criados para a perfeição.
“Quando se alcança a perfeição, nós perdemos os desejos de todas as coisas que gostamos? Se perdemos, isso quer dizer o que? Que há a possibilidade de nós tornarmos seres perfeitos que nada fazem, além de admirar Deus e o Universo em estado de inércia? Meu pai é Espirita desde criancinha e ele me disse certa vez que Quando chegamos a perfeição não faremos coisas que gostávamos quando eramos imperfeitos. Mesmo que estas não fossem más. E que acharemos ridículo essas coisas. E que apenas nós lembraremos das coisas que fizemos. Isso seria o NIRVANA? DEFINIÇÃO do Nirvana : um estado de calma, paz, pureza de pensamentos, libertação, transgressão física e de pensamentos, a elevação espiritual, e o acordar à realidade. Alcançar o Nirvana é como dissolver o ego, deixar de existir como uma entidade separada do resto do mundo e com isso quebrar a roda do carma, interrompendo o processo de contínuos renascimentos.Fonte: Wikipédia Se nós alcançarmos o Nirvana, na definição acima não seria o mesmo que nós tornarmos o nada? Já que parece ser um estado de Torpor?” É certo que nossos gostos vão se alterando à medida que evoluímos. Isso já acontece na nossa própria maturidade terrena. Não gostamos exatamente das mesmas coisas que achávamos o máximo quando crianças, mas também não perdemos todos os nossos gostos, apenas os percebemos por um prisma diferenciado, de acordo com a nossa evolução. Assim, o amor que eu nutro pela minha mãe hoje é diferente do amor que eu nutria por ela quando tinha cinco anos (que era mais uma necessidade total de seu amparo que um amor raciocinado). Continuo louca por morango com chantily, assim como quando tinha seis anos, porém esse gosto se tornou mais requintado (não é qualquer morango e nem qualquer chantily…rs)
Quando alcançamos a vida espiritual, nossos horizontes se alargam de maneira absurda. Vemos as coisas de um novo ângulo e sem a interferência da matéria. É claro que alguns dos nossos costumes materiais passam a ser ridículos!Imagine ao alcançarmos a perfeição, ou seja, a inteligência suprema! Estarei ainda gostando de assistir Star Wars e ouvir Rod Stweart?
Mas a ideia do panteísmo (voltar a ser parte de um todo ) ou do fazer nada de nada é totalmente renegada pelo Espiritismo e tem uma excelente explicação na resposta a pergunta 969 do Livro dos Espíritos:
Que se deve entender quando é dito que os Espíritos puros se acham reunidos no seio de Deus e ocupados em lhe entoar louvores?
“É uma alegoria indicativa da inteligência que eles têm das perfeições de Deus, porque o vêem e o compreendem, mas, como muitas outras, não se deve tomar ao pé da letra. Tudo em a Natureza, desde o grão de areia, canta, isto é, proclama o poder, a sabedoria e a bondade de Deus. Não creias, todavia, que os Espíritos bem-aventurados estejam em contemplação por toda a eternidade. Seria uma bem-aventurança estúpida e monótona. Fora, além disso, a felicidade do egoísta, porquanto a existência deles seria um inutilidade sem-termo. Estão isentos das tribulações da vida corpórea – já é um gozo. Depois, como dissemos, conhecem e sabem todas as coisas: dão útil emprego à inteligência que adquiriram, auxiliando os progressos dos outros Espíritos. Essa a sua ocupação, que ao mesmo tempo é um gozo”.
No capítulo 1, do mesmo livro, os espíritos também descrevem a natureza dos Espiritos Puros, considerados de primeira ordem. E afirmam que, além de manter sua individualidade, nada de preguiça! Trabalham, e muito, para o progresso dos demais espíritos e dos planetas, como primeiros ministros de Deus que já possuem o conhecimento necessário para isso…
O estado descrito como Nirvana, de indescritível felicidade e paz interior não pressupõe a ausência da generosidade, do amor ao próximo e a consciência de que cada um deve concorrer para o progresso geral, concorda?
Espero que tenha elucidado algumas de suas dúvidas, dentro do meu parco entendimento.
Precisando, me coloco a disposição!
Abraços,
Adriana
[Reply]
Cada um na sua e Deus por todos, até pelos que não acreditam.
[Reply]
Adriana Torres Reply:
August 26th, 2010 at 10:49 pm
Oi Leopoldo,
Que visita ilustre!
Então, acredito que debater é algo muito bacana, desde que sempre respeitando a outra parte. Concorda?
Bjs
Dri
[Reply]
É isso mesmo, Professora Adriana. Um grande abraço.
[Reply]
Ei Dricazinha linda. Uma dose dupla de remedinho pra dormir e algumas “googladas” por um dos meus temas favoritos me trouxeram ao seu post. Adorei. Tô gostando de ver você defendendo suas convicções com bravura. É assim que tem que ser. Eu fiz a mesma coisa no passado, quando era um evangélico fiel e dedicado.
Contudo, esse tempo passou (um “Graças a Deus” caberia perfeito nesse ponto). Um belo dia (e, por belo dia, entenda uma pá de tempo) comecei a procurar razões pelas quais eu acreditava no que acreditava. O tempo passou e não achei uma sequer.
Descobri que as coisas que eu dizia saber, eu apenas acreditava. E se acreditava, era porque não sabia.
O melhor que se pode fazer na direção das evidências que sustentam a existência de Deus é o que vem da sugestão que deu para a leitura do Livro dos Espíritos. Lá a gente encontra a incrível resposta: “O universo existe, portanto ele tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pôde fazer alguma coisa”.
É bonito, mas não funciona. É um pseudo-argumento que serve para prover uma resposta muleta enquanto não há resposta alguma ou uma que nos satisfaça. Um movimento para saciar a sede de quem não consegue dormir assumindo “eu não sei”.
Mas o Livro dos Espíritos não deve se preocupar em carregar, sozinho, o peso de jogar pelo mundo um raciocínio tão frágil e, ao mesmo tempo, extremamente persuasivo. A nossa querida Bíblia Sagrada fez o mesmo. Muito antes e, convenhamos, com muito mais estilo.
“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”, Romanos 1:20.
Bem mais style. Não poderia ser diferente. É o apóstolo Paulo Jedi Master contra algum outro. Não dá pressão. Outro naipe.
Mas, bonito ou não, o argumento tem a mesma fragilidade. Diz que, se temos céu, mar, árvores, estrelas, pardais e borboletas, nuvens, chuva e todo o resto, tudo isso, o que chamamos de Universo, tem que ter uma causa.
Até esse ponto, a coisa funciona bem. É um excelente ponto de partida para uma excitante jornada de descoberta (ou um estoque ainda maior de ignorância).
O problema vem logo a seguir, com a conclusão em ambos os casos. “Se tudo isso existe… (tchan, tchan, tchan, tchan)… só pode ser Deus”.
É aí que a coisa pega. Deus não é a resposta que sobra nesta linha de raciocínio. Inclusive, pela própria lógica do argumento apresentado, Deus, de fato, sequer deveria qualificar como resposta.
O argumento sendo, tudo precisa de uma causa e esta causa é Deus, o próprio Deus precisaria de uma causa e assim por diante por toda a eternidade.
Como é que Deus foi parar aí? É muito claro que Deus ocupa o espaço reservado para o “eu não sei”. E não é difícil entender a razão.
Todos, pelo menos aqui deste lado, nascemos e crescemos com a informação inquestionável de que existe um sujeito invisível, um espírito, chamado Deus, que nos criou e todas as outras coisas, que sabe tudo o que fazemos, que cuida de nós, que julga nossas ações e por aí vai.
As qualificações deste Deus mudam bastante de acordo com a sua versão de fé. A bem da verdade, não é possível apontar um único Deus considerando cada uma das religiões, mesmo as que fazem parte da mesma família. O Deus dos católicos é completamente desfigurado diante do Deus dos Evangélicos. O mesmo acontece entre este último e o dos Espíritas. E isso pra ficar apenas nas religiões que são mais comuns por aqui. Se entrarmos com o islã e o judaísmo a coisa vai definitivamente para as cucuias em termos de unidade sobre este tal Deus.
Mas algo é comum entre todas elas. O que se sabe a respeito deste Deus (ou deuses) não pode ser verificado. De forma alguma. Até temos testemunhas oculares da existência de cada um, mas elas já picaram a mula há milhares de anos.
Este conhecimento, que não pode ser experimentado, é transmitido de uma geração a outra por autoridade, tradição e universalmente por algum tipo de livro especial, um manual sagrado com instruções fundamentais e respostas para aquilo que a ciência não sonha um dia conhecer.
E é assim que as pessoas acreditam. Porque acreditar não é saber. Só acredita quando não se sabe. Quem acredita, o faz por escolha. por fé. E é aí que surge o problema de amizade entre fé e ciência. Não é possível conciliar um argumento baseado em autoridade, tradição e experiências metafísicas com outro que precisa de fatos, de comprovação, de evidências para avançar.
Eu sempre quis a verdade. Sempre fui fã de saber a verdade. De conhecer a resposta certa e não a que mais me agrada. Foi só quando comecei a me questionar sobre o que eu dizia ser a verdade que a coisa ruiu. O que eu dizia saber, simplesmente acreditava.
E, pior, o que eu acreditava, era incrivelmente ridículo e, naturalmente, impossível. Eu acreditava em Deus, mas também acreditava em todo o pacote. Que o homem foi criado do pó da terra, que a mulher foi criada da costela de Adão, que os dois estavam nus e que o pecado é a origem das roupas neste planetas.
Acreditava também que um certo Noé construiu um barco enorme onde colocou um casal de cada espécie de animal da Terra (nunca me perguntando haveria ali um certo insolúvel problema de superlotação).
Acreditava que durante uma batalha, Josué sapecou uma de suas orações e o Sol parou no céu para que a guerra do dia pudesse viver uma espécie de prorrogação, sem levar em consideração que quem girava ao redor do Sol era a Terra e não o contrário.
Enfim, estas e outras dezenas de novos impossíveis que, mesmo não sustentados por qualquer evidência, vêm no pacote da Fé. Coisa que temos que acreditar já que entramos na corrente. E é assim que a coisa vai.
No mundo de hoje, a pergunta é sempre feita na direção do ateu: por que você não acredita”? Ele saberá responder. Mas me incomoda a direção da pergunta. São os crentes que devem, por sua vez, responder a esta incrível pergunta. “Por que vocês acreditam”? Há alguns anos eu tentei. E, por ser absolutamente honesto, me ferrei na carreira cristã.
Minha punição foi perder respostas pra uma penca de questões importantes. Tornei-me ignorante. Mas estou curtindo. A sensação de ignorância é melhor que a do engano. Agora eu posso, pelo menos, descobrir algo. Ou não. E, ainda assim, viver.
Com imenso carinho. Rodrigo Bressane
[Reply]
Adriana Torres Reply:
September 8th, 2010 at 9:40 am
Oi meu amigo querido! Estou tão feliz com sua passagem pelo meu humilde site, me senti tão honrada que quase fico sem palavras para lhe responder…rs Quase né? Porque não é do meu feitio ficar sem responder um assunto que para mim é tão importante!
Veja bem, eu não fiz esse post com o interesse de defender a minha crença no Espiritismo. Minha intenção aqui era chamar a atenção para algo que me irrita um bocado: a mania que as pessoas têm de julgar a capacidade alheia por causa do que ela acredita. É como se eu o julgasse uma pessoa má por não acreditar em Deus. Ou julgar meus amigos petistas com neurônios a menos porque acreditam que o Lula é o cara!
Meu objetivo com o texto era mostrar que todos temos nossas convicções. E isso não diminui em nada a capacidade de raciocinar, nosso nível de QI, nosso intelecto… tenho lido diversos textos na internet que me deixam absolutamente chocada pela ausência de bons argumentos em defesa das suas crenças (sim, para minha a ausência de crença é um tipo de crença…rs) As pessoas estão com uma mania muito feia de atacar o próximo por conta disso. E não é só na religião, é em tudo, na verdade. E isso me entristece, pois acredito que crescemos com os conflitos, com os debates, quando não desqualificamos o próximo, quando temos a cabeça aberta para os argumentos que ele nos traz… concorda?
Você me trouxe seus argumentos, que acho super válidos. E o mais engraçado de tudo é que, lendo, lembrei de mim, com 11 anos, após ler a Bíblia, me fazendo as mesmas perguntas. Minha mãe era super católica e me colocou para fazer o catequismo para a primeira comunhão. E, assim como você, me senti super incomodada com essas questões que você colocou (faltou a história aí da cobra e de que apenas um casal povoou a Terra inteira, fora a questão da virgindade de Maria e por aí vai…).
A diferença é que eu encontrei meu caminho ao ler as obras de Kardec. Você, provavelmente, ao ler as obras de Marx ou algum sujeito parecido. Nem você nem eu podemos afirmar que o que escolhemos está absolutamente certo e centrado em provas irrefutáveis. Assim como você não pode afirmar com absoluta certeza a inexistência de Deus, pois se baseia em suposições extraídas de uma linha de raciocínio escolhida, eu também não posso afirmar com certeza a existência dele, em cima das provas que eu acredito ter…
Mas eu gostaria de responder sua pergunta. Porque eu acredito em Deus? O primeiro ponto, você refutou, mas não me convenceu. A lei de causa e efeito. Essa é uma lei científica. E sim, podem ter outras causas além de Deus. Mas, pegando o conjunto da obra, nenhuma resposta até hoje me convenceu mais do que essa. Se, um dia, um cientista me provar que existe outra causa mais plausível que essa, refutarei Deus. Assim como você, eu gosto da razão. Eu quero crer mas baseada no raciocínio, não na fé cega. Allan Kardec dizia isso ” fé inabalável só o é a que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade.”
Além dos livros, que claro, mostram o caminho, eu tive ao longo da vida tantas provas da existência de Deus, da comunicação com os Espíritos que ficaria aqui escrevendo por dias e não conseguiria terminar tão cedo. E claro, você poderia refutar uma a uma, procurando uma outra explicação para cada uma delas… mas, como um bom cientista, você jamais poderia afirmar que as suas explicações são melhores que as minhas, já que não tem provas tangíveis disso. E ficaríamos debatendo sem sentido algum, pois ambos estaríamos calcados em provas subjetivas, não concretas!
Tenho primas e tias amadas que são médiuns. Participei diversas, centenas de vezes de reuniões espíritas onde vi, com meus próprios olhos, cenas que dificilmente você imaginaria poder acontecer. E, provavelmente você conseguiria explicar cada uma delas pela sua visão ateísta. Que satisfaz o seu raciocínio, não o meu.
Eu não acredito em milagres. Acredito em leis naturais que regem o Universo e a vida de cada um de nós. E acredito que eu estou longe, muito longe de ter todas as respostas. Mas quando lembro de certas passagens de minha vida (que lhe digo, foi sempre uma caixinha de surpresas, nem sempre agradáveis) só posso afirmar a você que tudo me levou a Crer cada vez mais. Mas são histórias muito íntimas para que eu possa contar aqui, em um espaço tão público.
Então, em minha breve despedida dessa cidade chamada Belo Horizonte (e que você tem xingado tanto nos últimos tweets…rs) quero poder ter mais essa honra, de sentar com você, beber uma cerveja gelada e contar um pouco disso, não com o intuito de fazer você acreditar no mesmo que eu, pois seria uma grande tolice, mas para você compreender melhor a minha resposta à sua indagação…
O que eu mais amo nessa vida maravilhosa é ter a oportunidade de conhecer pessoas como você, que fazem bem ao meu coração. Eu queria fazer como Elis cantou um dia e, daqui 10 dias, quando eu juntar meus livros para minha mudança, pegar cada um dos amigos mais queridos e levar comigo para suavizar minha nova caminhada. Tenho grande orgulho de, mesmo o vendo tão pouco, poder considerá-lo um Amigo, com A maiúsculo mesmo. E, para mim, meu querido, isso também é uma prova da existência de Deus, pois nada acontece na vida sem um motivo e, se Ele me presenteou com seu carinho, só posso agradecer todos os dias por isso!
Bjs – adoro você!
Dri
P.S. Quem sabe você quer ir comigo amanhã assistir “Nosso Lar” ?
Ok, não xinga, foi só um convite…rs
[Reply]
se vc quisesse realmente saber argumentos, vc procuraria em diversos filosofos e autores importantes como Nietzsche por exemplo em que faz uma critica realmente forte e sofisticada da crença em Deus e do cristianismo… vc sabe que ninguem aqui conseguiria escrever argumentos fortes e nem gastariam seu tempo em poucas linhas em um comentario de blog… mas isso é proposital para fortalecer a sua fé… se vc quisesse mesmo saber da verdade vc procuria pessoas que realmente conhecem sobre o assunto e livros de verdade e nao perderia seu tempo lendo a “Cabana”
ps: não concordo em que vc diz que o argumento “Se Deus existisse, não teríamos tanta desgraça no mundo” é um preconceito. Esse foi um grande problema imposto nos filosofos escolasticos que duraram mais de 5 séculos, passando por st. augostinho e cicero até os dias de hoje, que é o seguinte “como Deus pode englobar o mal em si?”
[Reply]
Adriana Torres Reply:
October 6th, 2010 at 9:46 pm
Ravik,
obrigada pelo comentário. Não vou debater com você questões que, para mim, são também bem mais sérias do que um simples desabafo de alguém que cansou de teorias falaciosas. Mas, como sou detalhista, chatinha e teimosa, apenas faço algumas considerações:
P.S Não escrevi o texto para alguém concordar comigo. Ou discordar. Escrevi por pura vontade de escrever. Se você discorda, bacana. Mas tente aprofundar um pouco mais na questão, ok? Santo Agostinho, por exemplo, citado diversas vezes no Evangelho segundo o Espiritismo, chegou a mesma conclusão que eu (ok, sou audaciosa): que a justiça de Deus está muito acima de nossa própria compreensão. Eu encontrei a lógica dessa justiça na reencarnação. Eu e vinte milhões de outras pessoas, entre eles acadêmicos, doutores e também iletrados e até analfabetos. Não é questão de estudo pra mim e sim de trazer uma resposta convicente para as dúvidas. Se a sua forma de pensar não aceita tal ideia, é opção sua. Mas não se aferre a isso como verdade absoluta. Isso é sofismo, ok?
Abraço,
Adriana
[Reply]
Otávio
vou assistir os vídeos com muita calma, obrigado pelo comentário e pelas correções, eu também erro e não me considero nenhum ser sábio… Essa frase que falei foi muito mal colocada, realmente.
Sobre os fenômenos, sim. Eu sou médium passista, por isso nunca vi espíritos ou qualquer coisa que o valha. Mas por mais louco que possa parecer pra você, eu já fui instrumento de curas e isso me impressiona muito.
Além disso, tenho tias, primas e amigos médiuns que são extremamente respeitáveis e que foram protagonistas de cenas que presenciei extremamente relevantes para minha fé.
Minha mãe também tinha uma mediunidade muito desenvolvida, mas católica fervorosa que era, recusava esse dom e tentava de todas as formas fugir de suas visões. A única vez que se permitiu “ver” além foi quando minha irma fugiu de casa, aos 15 anos. Fizeram uma reunião lá em casa e ela começou a sentir como se estivesse dentro de um trem. Via a paisagem passando, os solavancos do caminho… não entendeu nada. Quando minha irmã reapareceu, dois dias depois, descobrimos que a louca tinha pegado carona de CAMINHÃO para o Rio de Janeiro! Minha mãe errou na interpretação…rs
Lembro da minha tia torta (uma vizinha que conheço desde que nasci) contando quando minha irmã morreu. No dia do enterro o filho dela que estava brincando em casa e não sabia de nada, começou a conversar sozinho e rir. Minha tia perguntou com quem ele estava brincando e ele disse “uai, não tá vendo, com a Patricia!” Ela carinhosamente fingiu que acreditava e pediu pra ela descrevê-la, pois ela não estava conseguindo enxergá-la.
Ele descreveu o vestido que ela estava sendo enterrada na hora.
Tiveram as reuniões que participei… as coisas que foram contadas nas reuniões e que realmente ocorreram… os estranhos cheiros que invadiam os ambientes… as visões de minhas tias e primas, os livros que minha tia psicografou… e tem a história do meu avo, aqui no site, se quiser leia – um homem chamado amor.
Por fim, tiveram as cartas que recebi. Tenho duas aqui que são assombrosas. Uma recebida por uma prima, outra por uma tia. Em tempos diferentes. Nenhuma tinha muito contato comigo e eu sempre guardei bem certas coisas da minha vida. Enfim, essas cartas que me foram endereçadas revelavam certos sentimentos e pensamentos meus que ninguém sabia.
Mas, como eu disse ao Bress, eu não estou aqui fazendo apologia ao espiritismo. Só estou pedindo para que a gente procure respeitar a crença alheia, sem desmerecer quem pensa diferente. Isso é o respeito a diversidade. Eu, em minha crença, acredito que TODAS são necessárias. Porque acredito que somos espíritos em evolução e cada um em um grau diferente, com necessidades diferentes.
E sobre a história do Waldo Vieira, Chico nunca quis comentar a respeito. Ele respeitou a escolha do ex-parceiro, por mais que tenha lhe doído. Anos depois, Walter voltou atrás em várias dessas afirmações. A verdade é que somos espíritos ainda muito endividados e temos dificuldade em compreender lições que estão acima da nossa consciência atual. Em minha humilde opinião, Waldo se perdeu no caminho ao crer que estava acima até de Deus. Acredito que o exemplo de vida de Chico é o FATO que mostra sua honestidade e comprometimento com a sociedade. No livro “As vidas de Chico Xavier, o Marcel fala rapidamente sobre o caso, pois o Chico preferiu não acusar nem destratar o antigo companheiro. Grandes espíritos como ele sabem que a verdade vem à tona, querendo ou não. Não adianta voce querer combater certas calúnias, o tempo irá mostrar quem está com a razão.
O tempo provou a inocência e a coerência de Chico (afirmada depois pelo próprio Waldo), assim como provou a inocência e a sabedoria de diversos espíritos que foram injustiçados quando de sua passagem na terra, desde Sócrates até hoje.
Assim como existem ateus trolls, existem crentes, espíritas, etc… E eu acho que isso é aquela mania de querer ser dono da verdade, saca? Tem um livro que gosto muito, chama “porque tenho medo de lhe dizer quem sou” e nesse livro o autor faz uma afirmação muito certeira – quem é muito dogmático, muito dono da verdade é pq, no fundo, tem muitas dúvidas!
Abraço e, mais uma vez, obrigada pelo comentário, adorei!
Dri
[Reply]
Olá. Gostei muito de seu post.
Sei que já faz um certo tempo que foi escrito e há meses não recebe comentário, mas gostaria de participar, pois estou conhecendo seu site hoje e gostei muito das suas opiniões. É sempre bom poder conversar em alto nível para discussões com pessoas que utilizam o conhecimento em busca de melhorias na sociedade.
Então, voltando ao assunto do post principal, realmente, há muitas vezes esse preconceito mútuo. Quem é ateu, considera religiosos ignorantes e há os religiosos que consideram os ateus pessoas horríveis.
O bom é que há exceções de ambos os lados. Mas acredito que o baixo nível de discussões desse tipo não é um problema religioso e sim educacional.
No Brasil há um grande deságio do ensino, prejudicando não só debates religiosos, como muitos outros assuntos, no caso, posso citar várias polêmicas culturais: vegetarianismo, partidos políticos, esportes etc.
Aqui ainda há um excesso em discussões não inteligentes que caem facilmente no fanatismo, ou seja, pessoas defendendo a todo custo seu ponto de vista, irredutíveis e, sequer, sem pensar em qualquer argumento. E muitas vezes, ocasionando o pior, que é a violência.
Eu gosto e apoio muito debates que sejam importantes para o desenvolvimento social, com ética, respeito e usando argumentações não falaciosas.
No caso dos esportes, por exemplo, acho completamente inútil discussão sobre times, pois o esporte deve ser praticado para saúde e bem-estar e a questão dos times de torcidas não deveria passar de uma apresentação que temos preferência por determinado grupo e não levar isso ao extremo em discussões em todas as mídias, pois não é algo decisivo, importante para o desenvolvimento de uma nação, a não ser com os envolvidos no lucro gerado pelo esporte.
No caso da religião, gostaria de destacar minha “fé divina” (pois também tenho fé nas pessoas que muito podem agir para buscar melhorias), porém sou contra o mercantilismo e fanatismo pregado por muitas religiões.
Gosto sempre de manter uma opinião crítica muito forte, pois não acredito em Deus incontestavelmente e irracionalmente, como muitos ateus pregam, e sim, acredito logicamente em Deus, depois de muitas análises, estudos, e principalmente, Deus tratando de um poder maior e não a imagem europeizada da figura de um homem branco pregado na cruz.
E gostaria que você analisasse esse arquivo: http://idiarte.files.wordpress.com/2010/06/ceticusplus.pdf
Caso não seja permitido incluir links nos comentários, por favor, pode retirá-lo, sem problemas, pois até tentei encontrar algum meio de contato direto com você, por exemplo, via e-mail para enviar alguns materiais separados, mas deixo registrado, esse arquivo .pdf em especial, para sua atenção.
Acredito que pode conter informações incorretas e que foram inseridas de autoria de grandes pensadores e filósofos, quando na verdade não foram e não passaria de um “desespero” ateísta em busca da negação religiosa.
O que você acha sobre isso? Pois é um documento bem estruturado e com fortes argumentos, científicos e filosóficos, mas a questão da atribuição dos créditos a nomes importantes, talvez esteja incorreto e foi feito propositalmente pelo autor deste arquivo, tentando até mesmo fazer suposições de que determinando pensador seja ateu, quando isso não foi provado.
Em geral, agradeço pelo espaço para discussão, peço desculpas por me prolongar em meu comentário e tomar seu tempo, mas sempre procuro pessoas para poder analisar melhor essa questão, pois é algo que tenho grande interesse. E continuo achando, o problema maior para o desenvolvimento de um país não é o cidadão ser religioso ou não e sim o seu conhecimento.
Luiz Gustavo de Souza Filho
[Reply]
Adriana Torres Reply:
June 26th, 2011 at 9:25 pm
Oi Luiz Gustavo,
prazer receber seu comentário. Não se preocupe, é comum pessoas “goolgarem” certos assuntos e cariem em posts antigos. Achei ótimo seu comentário, realmente a educação é fator chave para isso. Mas, arrisco dizer, não somente a educação no Brasil, mas em todo o mundo, que é moldada de acordo com os preconceitos já existentes na cultura daquele povo, daquela nação. Precisamos evoluir intelectualmente e moralmente. E a evolução moral perpassa no aceitar o diferente, em respeitar aquele que não pensa como voce, seja sobre que tema for.
Uma das minhas melhores amigas é atéia. Eu não tento catequizá-la nem ela me convencer da sua falta de crença. De vez em quando conversamos sobre o assunto, mas usualmente sobre o mesmo tema – a falta de respeito ao próximo que caracteriza os excessos de todos os lados. Crentes falando mal de católicos, católicos de ateus, ateus de crentes e por aí vai. Meu atual debate, por exemplo, tem sido acerca da homossexualidade e da religião. Sou cristã e vejo como seria natural se Jesus estivesse aqui ele levantar a bandeira dessa turminha tão perseguida. Afinal, os homossexuais são os perseguidos de hoje e Jesus sempre andou exatamente com as minorias excluídas da sociedade!
Minha fé também foi calcada em anos de estudo e observação. Não creio na fé cega e sim na fé raciocinada, a única capaz de apoiar a evolução intelectual e moral tão necessária a nós todos. Mas nem por isso critico quem tem outro tipo de fé. São vários os caminhos e o meu é a minha escolha, a minha verdade, mas não é o único nem o melhor.
Vou ler com calma o texto e lhe respondo depois, ok? Gosto de ver argumentos contrários aos meus, pois, como vc, sou fã do debate, desde que ele esteja no campo das ideias e não passe para a ofensa. Pq o bom conflito acontece para que possamos crescer, se estivermos abertos a isso…
Abraço,
Adriana
P.S. Pode enviar emails para adriana@adrianatorres.com.br
[Reply]
Luiz Gustavo Reply:
June 27th, 2011 at 8:09 pm
Adriana, muito obrigado pelo seu comentário e mais uma excelentíssima opinião crítica.
Muitos artigos acabam ficando bem mais completos com este espaço que você permite para debates, que apesar dos “vândalos digitais” ainda há muitas pessoas interessadas em uma discussão séria.
De fato, pesquisando sobre o assunto eu tinha “googlado” e cai no seu site e gostei bastante. Já li vários outros artigos que você escreveu, todos muito excelentes, com ideias incríveis.
Incentivo-lhe a continuar sempre fazendo publicações desse tipo, pois mesmo que não seja considerada uma mídia massiva, pode ter certeza que você consegue influenciar muitas pessoas com ótimas ideias.
E você tem total razão quando diz a educação a nível global, pois muitas vezes acabamos restringindo o exemplo ao país em que vivemos, mas esse problema acaba sendo muito mais amplo e a raiz que é a consequência de muitos outros problemas, como desigualdade social, violência, destruição ambiental, discriminação, preconceito entre muitos outros problemas.
E insistem em “remediar” todos esses problemas, por exemplo, aumentar segurança para tentar impedir/ocultar/mascarar a violência, ao invés de tentar minimizá-la e o mesmo é feito com muitos outros problemas.
Acredito, assim como você, que a educação é uma peça chave para melhorias sociais globais. E isso só será possível com a intensa luta em busca da qualidade do sistema educacional.
Obrigado novamente pela atenção e por me passar seu e-mail para contato.
[Reply]
Adriana Torres Reply:
August 2nd, 2011 at 8:34 pm
Obrigada pelo novo contato e perdão pela demora em responder. Espero que possamos trocar mais informações, em novos posts que pretendo, em breve, escrever! rs
Abração!
Adriana