Adriana Torres

Porque Relacionar é preciso

Posted by Adriana Torres | August - 27 - 2010 | 10 Comments

*Eu, minha prima e minha irmã na casa do meu avô: as três “panteras”…rs

Então…

Falta apenas um dia para meu aniversário e eu queria escrever algo a respeito.

Mas, como resumir, em um simples post de um site, meus 38 anos de vida? Ainda mais – a MINHA vida! Não é por nada não, mas quem me conhece sabe. Tarefa hercúlea!

Não são somente os cabelos que mudaram de cor e corte no mínimo uma vez por ano. Minha existência nessa terra foi marcada por grandes revoluções a começar antes do nascimento!

Eu fico impressionada (e com certa inveja) da vida pacata que muitos levam, sem grandes sobressaltos. Tudo acontece no tempo certo. Nascem, crescem, namoram, casam, tem filhos, ficam velhos e morrem.  Simples assim.

No meu caso, já passei por tanta situação esdrúxula que, se for pensar em meu caminho sob o ponto de vista da Qualidade Total eu diria que os acontecimentos são uma constante exceção com raras regras para dar uma mínima sensação de conforto…

Minha concepção já foi inusitada. Após 10 anos de casados e quatro filhos, meus pais chegaram à conclusão que já era suficiente.

Bem, meu espírito não pensava dessa forma, então, aproveitando a alegria do casal no dia em que o #Galo se consagrou campeão brasileiro (19/12/1971, pra quem não sabe) eu aproveitei a chance e… Fui concebida, em plena comemoração! (e, com certeza, sob o efeito de muita cerveja. Não é a toa que gosto…rs)

Com dois anos e meio, como já contei aqui, perdi minha irmã Patrícia. O mais louco da história era nossa semelhança (física e emocional) que provocava asco em alguns ao me verem e reações amorosas em outros (como também já disse, meu pai tinha mania de me chamar de Patricinha provocando a ira de minha mãe). Essa “síndrome de Patrícia” me persegue desde então, pois normalmente as pessoas não confundem meu nome com Ana, Adriane… Confundem com Patrícia.  O.o

Com pouco mais de cinco anos eu andava à cavalo como se tivesse nascido para isso (detalhe: residindo em plena Savassi e nunca ter participado de uma aula sequer),  ficava mais a vontade em cidades do interior que na escola (da qual eu tinha um medo terrível) passeando no carro de boi do leiteiro, comendo morango do quintal sem sequer lavar, subindo em pé de goiaba e curtindo os animais que eu tanto amava…

E uma das melhores lembranças de minha infância foi quando um namorado de minha mãe, querendo “seduzir” a caçulinha, me levou para conhecer as onças pintadas que viviam confortavelmente no Hotel Financial, no centro de BH. Lembro até hoje do meu encantamento com as feras, que de feras não tinham nada – e o rosto de minha mãe, apavorada, olhando eu brincar inocentemente com aqueles animais gigantes.

Aos oito anos perdi o medo da escola e me tornei pela primeira vez uma CDF aos olhos da turma, após escrever um texto que fez com que minha professora me comparasse a alunos de segundo grau. Foi o bastante para ganhar o ódio de todos os colegas e cair em uma pegadinha humilhante que me traumatizou por décadas. (Vinte anos depois, fiquei feliz quando o Coordenador do curso de Marketing comparou meu TCC com uma tese de mestrado…rs)

Aos onze anos eu já tinha lido quase toda a coleção Vaga Lume, a de Agatha Christie, Monteiro Lobato e o “Tesouros da Juventude” da casa do meu avô. Na época resolvi escrever um pequeno livro de detetive (que não tenho a mínima ideia onde foi parar), ler a Bíblia (sim, o velho e o novo testamento) e escolher uma outra religião para mim, pois aquela coisa de cobra, maçã, Adão e Eva não caia bem na minha concepção infantil de como as coisas começaram…

Aos doze anos, após mais alguns episódios de humilhação que sempre são infringidos aos CDFs, resolvi me tornar parte de uma tribo que não fosse a dos caçoados.  Aprendi a beber cerveja, cachaça e aos 13 anos já fumava como um adulto. (Voltaria a ser CDF somente aos vinte e oito anos de idade, na faculdade, e hoje tenho maior orgulho em ser!).

Com quatorze anos, minha mãe, preocupada com minha crescente malandragem (e a possibilidade de um alcoolismo precoce), me colocou para estudar magistério no Instituto de Educação, à noite, enquanto durante o dia eu me tornava acompanhante do meu avô, fato que, com certeza, delineou meu caminho atual.

A partir daí, não teve um ano sequer em minha vida onde não vivi emoções fortes, seja no âmbito familiar, no trabalho, nos relacionamentos… Daria para compor uma novela  por ano, acreditem!

Do sonho infantil de ser uma veterinária, casar com um fazendeiro e ter uma fazenda com muitos cavalos, cachorros, tigres e leões (eu era criança, tá?) me tornei uma executiva urbana, ainda solteira, porém com dois dogs para tentar amenizar as diferenças.

Dos ingênuos poemas e crônicas da adolescente surgiu essa blogueira prolixa que adora escrever desde artigos acadêmicos até roteiros de cerimonial.

Do gosto pela cerveja… Continua, mas de forma bem diferente. Um prazer para ser apreciado com equilíbrio e na presença de bons amigos! (Ok, agora também adoro vinho, vodka, whisky…)

Cada dor que me atingiu (e não foram poucas), cada alegria que tive (e foram muitas) estão marcadas para sempre em meu coração.  As pessoas que passaram em minha vida deixaram sempre algo no caminho, transformando meu jeito de agir, de pensar, de ser!

É, eu mudei. Cresci. O bastante para admitir meu pleno desconhecimento perante a vida. E chego nessa nova etapa (uma das mais difíceis que já passei desde então, diga-se de passagem) com uma única certeza: que, além de ter uma vida bem mais divertida que a maioria dos mortais, no fim das contas, é essa loucura de cada dia que vai me levar aonde devo chegar. Que vai me fazer me encontrar…

Então… feliz aniversário pra mim! :-)

Bjs

Dri Torres

P.S Em homenagem ao meu aniversário, que tal fazerem uma boa ação? Compre um tíquete do Big Mac na Fundação Sara (ou nos locais que estão vendendo: Academia Alta Energia e Papelaria Papel Picado) e ajudem essa Organização a salvar as vidas de diversas crianças com câncer… Liguem já!: 31 3284-7690

P.S2 . Não podia faltar a música NÉ? Não couberam aqui meus momentos de cantora, desde as serestas na infância até o Coral que participei (e que morro de saudade):

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10 Responses so far.

  1. Engraçado é que compartilhamos alguns acontecimentos históricos na mesma idade. Eu queria ser veterinária e também começei a fumar aos 13 anos =( E ainda aguardo o dia que a srta irá nos acompanhar na caminhada antitabagista ;) Quero te desejar muitas felicidades, amanhã e sempre e muita sorte na sua caminhada por esse mundão!

    Abração querida!

    [Reply]

    Adriana Torres Reply:

    Oi Glaucia,

    não perca a fé, um dia estarei com vc nessa luta… e obrigada pelo carinho, mas senti tua falta aqui em casa ontem!

    Bjs!

    Dri

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  2. Belo post!

    Parabéééns, muitas felicidades!

    [Reply]

    Adriana Torres Reply:

    Obrigada linda, parabéns pra nós! “Pequena” diferença de idade que não afeta em nada nossa “amizade virtual”…

    Bjs!

    Dri

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  3. Rui M Santos says:

    Excelente ! Na verdade, cada um de nós decide a vida que quer te, dentro dos condicionalismos conhecidos,r e vc fez uma excelente escolha! Parabéns Bjo

    [Reply]

    Adriana Torres Reply:

    Oi Rui,

    concordo, tudo são escolhas… e acho que, não importam quais eu fiz, o principal é eu te-las feito de forma consciente né?

    Bjs e obrigada,

    Dri

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  4. Feliz aniversário Tigresa! rs… Eu gosto de ocê! Um beijo e um queijo!

    [Reply]

    Adriana Torres Reply:

    Obrigada meu amigo, vc é dez! Bjs

    Dri

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  5. Adriana Lagares says:

    Menina, antes de tudo.. Parabéns atrasados.. Veja só; eu passeando pela web, pensei na família Torres e, claro, achei vc no facebook.. E havia um blog.. E a foto!! Fala verdade, minha infância passou como um raio na minha cabeça.. Mil lembranças de vocês (as três panteras!! Rs..), da casa do seu avô, do cachorro (lindo e enorme!!) e de todas as bagunças que aprontamos.. Sim, eu me lembro de vc fumando aos 13 anos.. Afff! Rs.. Dri, parabéns, felicidades, sorte, sucesso, saúde, coragem! Beijão! Dri Lagares (amiga da Elminha)

    [Reply]

    Adriana Torres Reply:

    Nossa, Dri… que coisa é essa internet né? TEM SÉCULOS! Jesus.

    Me senti velhinha mesmo agora…hahahahaha

    Obrigada, veja se não some, vamos papear mais…

    Bjs!

    Dri

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