Alguns ensinamentos de infância nos marcam mais que outros. Principalmente aqueles que são transmitidos não somente pelas palavras, mas pelas atitudes diárias. É aquela velha história, palavras emocionam, mas exemplos arrastam.
Venho de uma família onde a cordialidade e a simpatia são condições básicas para se relacionar com o outro. Minha mãe sempre foi muito aberta a novos contatos e era divertido ver como em pouco tempo ela se entrosava com qualquer pessoa que passasse por seu caminho, fosse o taxista, o farmacêutico ou a mocinha da loja.
Cresci achando muito natural conhecer a maioria dos trabalhadores do bairro ou moradores da vizinhança. E, no trato com o próximo, seguir sempre as regrinhas de ouro: “por favor, com licença, obrigada”. Claro, existem outros aspectos um pouco mais “luxuosos”, como levar vinho ou flores quando for convidado para a casa de alguém, enviar um cartão de agradecimento por uma visita, mas aí já faz parte da cultura da TFM (tradicional família mineira) que nem sempre consigo seguir a risca.
Nada do tom excessivamente meloso das amizades virtuais que vejo hoje em dia (coisas de miguxo, que detesto…rs). Mas de forma absolutamente sincera e cordial.
Algumas pessoas podem achar que isso é uma grande frescura, mas ser simpático com quem você nem conhece pode transformar um dia ruim em um dia ótimo. E o contrário é verdadeiro!
Sei que não sou um exemplo de bom humor. Tenho meus dias de #mimimi, TPM e rabugice como qualquer outra pessoa.
Mas nada disso impede que eu cumprimente com alegria a atendente da padaria, que bata papo com o taxista ou que diga bom dia para o motorista do ônibus. E de ficar escandalizada ao ver o técnico da seleção brasileira falar palavrões em uma coletiva porque estava irritado com as críticas que vinha recebendo.
Relacionamentos não nascem de uma fórmula mágica e precisam ser construídos no dia a dia. Com paciência, aceitação do outro e a famosa cordialidade. Algumas regras que aprendi no trato com o próximo descrevo a seguir:
- Seja polite: não importa onde e com quem você esteja. Bom dia, boa tarde, boa noite é essencial. Por favor, com licença, me desculpe… custa pouco e vale muito!
Eu falo bom dia no twitter, nos emails, pessoalmente… Lembro de um ex-diretor que tinha a estranha mania de nunca cumprimentar os outros. Eu tentava, gentilmente, agir da forma contrária (vai que ele sacava né?). Um belo dia estava eu e meus colegas fazendo “a hora do quilo” e ele chegou abruptamente falando sobre um trabalho com um de nós. Eu, na mesma hora sorri e disse: “boa tarde!”. Ele, um pouco sem jeito, respondeu “Boa tarde, Adriana, você sempre me lembrando da minha falta de educação…” Ok, acho que eu poderia ter sido menos direta, mas acredito que fiz um bem ali!
- Mantenha contato: ligar de vez em quando, enviar um email, falar um oi no gtalk… sei que todos estão numa correria danada, mas o que mantém relacionamentos vivos é essa preocupação de saber como o outro está, de demonstrar interesse. E, por favor, nada de procurar os amigos e colegas só quando você está precisando. Isso machuca.
Eu sou péssima para procurar os amigos. E, como já disse aqui, faço uma agenda onde coloco semanalmente nomes de pessoas que não vejo tem algum tempo para que eu possa entrar em contato. Se você tem o mesmo problema que eu, fica a dica!
- Sempre retorne: alguém mandou um email, deixou recado na secretária eletrônica, com o colega do lado? Retorne. Mesmo que ele esteja querendo cobrar algo que você não poderia atender ainda. Nada pior e mais frustrante que o silêncio.
- Ofereça soluções, não mais problemas: existe coisa mais irritante que ligar para uma empresa e a pessoa que atender falar: “isso não é comigo”? Se você trabalha em uma Organização, acredite, você tem tudo a ver com tudo! E vale o mesmo para o colega que não consegue lidar com o computador tão bem como você, a vizinha que perdeu a chave da porta de entrada do prédio… Se você não sabe resolver a questão, ofereça seu apoio. Já ajuda bem!
Lembro de um episódio que marcou minha passagem pela Halógica. Estava eu, na época, responsável junto com o gesto de gerenciamento de TI fechando uma parceria com a HP Services para oferecermos cursos de ITIL pela empresa.
Um belo dia a recepcionista foi almoçar e eu me dispus a atender as ligações enquanto ela estava fora. Um cliente importante ligou exatamente nesse horário, querendo falar com um dos gerentes de conta. Eu perguntei se poderia ajudar e o interlocutor informou que precisava saber informações sobre os cursos que estávamos oferecendo. Empolgada, “fiz o comercial” e passei para ele por email os dados faltantes.
Avisei o gerente que, entrando em contato com o cliente, marcou uma reunião para a semana posterior. E voltou da mesma rindo como uma criança levada, dizendo que o cliente estava extremamente impressionado com o profissionalismo e o padrão de qualidade do atendimento da Halogica, pois até a recepcionista sabia tudo sobre os produtos vendidos!
Esse exemplo mostrou a importância de todos na empresa terem um conhecimento mínimo dos produtos e serviços que ela oferecia e, na semana posterior, acabei escalada para treinar as meninas a respeito…
- Evite palavras de baixo calão. Ok, eu sou boca suja. Trabalhei 12 anos só com homens, o que queriam? Mas meu palavreado mais tosco não é dirigido para uma pessoa em um debate. Não acredito que falar um palavrão irá me ajudar a vencer uma discussão. Aliás, sempre me lembra da frase “apelou, perdeu”. Fico impressionada como as pessoas hoje postam comentários ofensivos e sem noção em sites na internet porque não concordaram com o texto lido. Péssimo isso.
- Fuja dos excessos. Assim como ser rude só vai provocar a ira do outro, o excesso de elogios e sentimentalismo também atrapalha. Pessoas que elogiam demais normalmente não são confiáveis. Sei que é uma constatação dura, mas é verdade. Eu corro.
- Treine em casa. Algumas pessoas são extremamente cordiais fora de casa, porém um casca grossa dento do seu próprio lar. Elogiar uma comida bem feita, ter paciência com a irmã carente, se disponibilizar para ajudar os pais nas tarefas chatinhas são alguns exemplos disso.
Da mesma forma, conheci vendedores que eram uma seda com os clientes, porém não respeitavam o boy, a faxineira, o colega do lado. Isso é falsidade. E cordialidade falsa é pior que a ausência dela!
- Então, seja sincero, mas, de vez em quando, peque pela omissão. A sinceridade é realmente minha marca registrada, mas não sou de falar o que me vem na cabeça. Costumo pensar na seguinte pergunta “o que eu tenho para falar vai trazer algum benefício para a pessoa ou para este relacionamento?” É a velha história – se você não tem nada de bom pra falar, cale-se. Nada pior que alguém comentar com você o quanto está magro ou gordo, por exemplo. Isso não vai trazer benefícios, só aumentar a angústia e insegurança do próximo.
Existem vários outros aspectos da cordialidade. Mas aí eu teria que escrever vários posts a respeito e não estaria sendo nada cordial com meus leitores!
Pensem em como gostam de ser tratados. Sem esquecer que o seu colega é um outro universo, com vivências e preferências particulares. O gostoso da vida é exatamente esse aprendizado diário!
Bjs
Dri Torres





Quase sempre dou tchau pra você no gtalk, e com muito estilo, sei que você adora! hahaha! Mas brincadeiras a parte, ótimo texto, nada melhor que a cordialidade. Um beijo e um queijo!
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Adriana Torres Reply:
July 4th, 2010 at 12:17 am
hahahaha – é, miguxo, você não é fácil não… Você é um doce de pessoa. E sabe como poucos respeitar e manter seus relacionamentos!
Bjs!
Dri
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