Ontem quando, pela morte do Steve Jobs, revi o vídeo de seu discurso em Stanford (obrigada, @fvbraga) foi inevitável que momentos passados retornassem com força em minha mente inquieta.
Como eu já disse em outro post por aqui, não teve um ano em minha vida, a partir da adolescência, que não vivi emoções fortes. E, assim como Jobs, algumas das minhas histórias foram definitivas para que eu encontrasse a mim mesma.
A minha primeira grande história está relacionada ao fato de ter sido designada para cuidar do meu avô durante seus últimos anos de vida. Eu tinha acabado de entrar para o curso de magistério do IEMG e odiei a escola desde o primeiro dia. Nos quatro dias subseqüentes, matei aula indo para a casa de uma amiga desabafar meu desespero.
Sabendo da minha insatisfação, minha irmã Simone, que fazia o mesmo curso no turno da noite, sugeriu a minha mãe que me transferisse para sua sala. Ela aceitou, com uma condição: que, durante o dia, eu fosse cuidar do meu avô , já sem condições de permanecer sozinho pela saúde debilitada.
Eu adorei a “imposição”, já que ainda receberia meio salário para o trabalho. Foram três anos com ele, até sua partida para o mundo espiritual, anos esses que me trouxeram lições valiosas, por mais que não percebesse direito na época.
Meu avô era um homem extraordinário, como poucos que vocês terão a oportunidade de conhecer. Seu senso ético e sua superioridade moral foram transformadores na vida de todos aqueles que conviveram com ele e eu não fui exceção.
Além disso, foi ali que aprendi a fazer meu primeiro café; a receber visitas importantes, a atender telefonemas de maneira cordial e atenciosa; a cuidar de primeiros socorros básicos e outros nem tão básicos; a gerenciar uma casa com despesas vultosas…
Parecem tolices, detalhes insignificantes. Assim como o curso de caligrafia de Jobs. Mas foi isso que me levou, um dia, a me tornar um das melhores vendedoras das empresas nas quais trabalhei (não serei modesta aqui, pois isso não foi dito por mim, mas por quem trabalhava comigo).
Também foi essa passagem que me fez, um dia, encontrar o caminho do terceiro setor, da busca por uma sociedade mais justa e sustentável…
Minha segunda história marcante também foi uma demissão. Não vou me prender aos detalhes, que são muitos. Após duas promoções seguidas pelo meu ótimo desempenho como vendedora de peças na Brasif Máquinas, eu cometi um erro. E esse erro me custou o emprego.
Eu fiquei transtornada. E me senti O fracasso. Eu amava aquele emprego. E acreditava ser uma excelente profissional. No dia da demissão, eu chorava tanto, que minha querida amiga Elian teve que dirigir meu carro de volta para casa. Quando cheguei, já com a cara inchada das lágrimas abundantes, minha mãe sorriu, tranquila e afirmou “Foi melhor para você.”
Eu não conseguia perceber como aquela perda poderia ser melhor para mim. EU TINHA FRACASSADO! Foram cinco anos de acertos e, em um dia, eu joguei fora tudo que eu construí!
Para piorar, alguns meses antes eu havia decidido voltar a estudar e fazer uma faculdade, o que muitos amigos me aconselhavam na época. Como continuar com meus planos se não encontrasse um emprego rápido?
Apesar de toda a dor que sentia, uma certeza me guiou: não iria desistir do meu planejamento. Faria a faculdade, não sabia como, com que dinheiro, mas eu faria.
E assim foi. Na mesma semana que prestei vestibular fiz entrevista para trabalhar na DCML. No mesmo mês que recebi o anúncio de ter sido a primeira colocada no vestibular de Marketing/turno noite da Newton Paiva, eu já estava organizando o departamento de grupos geradores Cummins Power Generation, juntamente com os queridos colegas Alexandre, Adalberto e Ilmo.
Foi um período de grandes lutas e muitas alegrias, coroado com a láurea acadêmica que recebi na formatura. E, com absoluta certeza, não teria sido dessa forma se eu não tivesse fracassado na Brasif.
A terceira história também envolve a morte. De certa forma, a morte de um pedaço de mim. A de minha mãe.
Eu não somente fiquei sem minha mãe. Eu ganhei, temporariamente, uma filha, minha sobrinha que, na época, era criada por ela.
Atendendo seu pedido final, convidei-a para morar comigo, arcando com toda a responsabilidade que essa escolha implicava.
Perder a presença diária de minha mãe ainda é algo que não me acostumei de fato. Sua ausência encontra-se marcada em cada post que faço. Ganhar uma “sobrilha” foi uma mudança radical em minha vida.
Por esse (e outros motivos que prefiro não citar aqui) pedi demissão do emprego e me tornei consultora. E, por causa dessa história (e também alguns detalhes complexos, como a minha já superada ingenuidade), eu fracassei novamente.
Com um contrato encerrado por falta de recursos para me pagarem e envolvida sem saber numa guerrinha de poder típica de quem atua muito perto da política, dois anos depois da morte de minha mãe eu fali financeiramente e fui obrigada a fazer sérios cortes no orçamento, vindo morar em Lagoa Santa, de favor, na casa de uma tia.
Vendi meus móveis, desfiz de coisas materiais que ainda julgava serem importantes para mim. E tive que recomeçar, assustada e ferida por mais esse golpe.
Minha “sobrilha” linda voltou a ser minha sobrinha, como tinha que ser. Já na faculdade, com 18 anos e pronta para a vida, foi morar com a mãe.
E eu, que dediquei os últimos anos ajudando pessoas a se recolocarem no mercado de trabalho, ganhei novas lições preciosas ao passar seis meses à procura de uma nova oportunidade.
Confesso que recusei ofertas que não considerava ser o meu caminho. Continuei realizando meus trabalhos voluntários e fui duramente criticada por isso. Chorei. Caí de cara no chão. Mas me levantei novamente, um pouco mais forte, um pouco mais serena.
Hoje, realizada no trabalho que desenvolvo (que me foi oferecido por causa de um dos trabalhos voluntários que fazia), posso afirmar que tudo, tudo que me aconteceu serviu a um único propósito: direcionar meu caminho para um novo patamar de compreensão do outro e de mim mesma.
Não vou dizer que parou aqui. Estou com 39 anos e muita água ainda pode rolar debaixo dessa ponte, como diz a sabedoria popular.
Mas posso afirmar, com absoluta certeza que:
1 – O fracasso não existe. Erros são indicativos que a vida nos proporciona da mudança que precisamos fazer. Basta se permitir.
2- A fé é nosso maior motivador. Steve Jobs fala disso e eu também. A fé foi o que me fez continuar. É o que me faz levantar todos os dias e fazer minhas escolhas. A fé que tenho em Deus. Em mim. E nas pessoas. Não importa no que você tem fé. Fé, para mim, significa confiar que algo é verdadeiro. Eu tenho fé nos meus valores. Nos meus princípios. Tenha fé.
3 – Os bons são a maioria. Eu prefiro me esquecer das vezes em que alguém tentou me fazer algum mal. Relembrando cada história, percebo que nada disso teria sido construtivo se eu não tivesse a benção da presença de pessoas maravilhosas em minha vida, mesmo que por um instante. Verdadeiros anjos, que passaram ou que permanecem no meu caminho e que me ajudaram a ver além da minha dor do momento.
4 – Muitas vezes não alcançaremos o que desejamos. Mas sempre, sempre receberemos aquilo que necessitamos.
Parabéns, Steve Jobs, por ter seguido firme em seu caminho e se tornado um inspirador de uma geração.
Parabéns a todos nós, que ainda estamos na construção da nossa trajetória. Continuemos em frente, porque sim, tudo vale a pena!





Essa lição 4 aí, “Muitas vezes não alcançaremos o que desejamos. Mas sempre, sempre receberemos aquilo que necessitamos” é a mais pura verdade… ainda que muitas vezes não aceitemos tudo o que vem, no fim das contas é o que a gente precisava…
aprendi isso saindo da casa dos pais.
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Adriana Torres Reply:
October 11th, 2011 at 2:04 pm
Oi querida Gigi,
obrigada pelo comentário. Sim, acho que essa é a maior lição. Dura, mas a maior…
Que tenhamos humildade para entender e agradecer!
Bjs
Dri
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